sábado, 31 de março de 2012

Nos desígnios de Deus, a igreja existe para fazer missões no mundo. Deus em si mesmo tem caráter missionário. A Trindade é bem compreendida nas suas atividades de chamar e enviar. A Igreja entende seu propósito e caráter missionário quando observa e imita o amor de Deus pelo mundo.

Gosto da frase do teólogo Karl Barth: “Devemos ser uma igreja para o beneficio do mundo”. E a maneira que encontro para definir “uma igreja para o benefício do mundo”, estaria contida na frase “Comunidades de Deus com Caráter Missionário". Isto, de uma maneira geral, é para onde devemos caminhar.

O que quero dizer aqui, é que não somos apenas um “povo”. Somos um povo para o benefício do mundo. Adoro a frase que George Hunsberger e outros que a usam, que nós somos um povo enviado. Infelizmente, nós temos a tendência, como evangélicos, de compreender que somos “salvos de” e muito menos a compreensão do que somos “salvos para”.

Logo, a igreja que quero construir levaria muito a sério “equipar os santos” para o beneficio do mundo. É preciso ser um belo exemplo do que significa ser “pedras vivas” ( I Pe 1:4-5), como Pedro chama os cristãos.

Portanto, a igreja que quero construir, teria como alvo, ser uma comunidade “enviada”, um corpo de pessoas, enviados com uma missão. E isto significa que devemos ir bem fundo no mundo. Tragicamente, tenho descoberto que alguns de nossos líderes e membros presentes nas igrejas inverteram a ordem das coisas. Eles são do mundo, mas nunca estão no mundo. Precisamos ter a certeza de que não seremos intimidados pela marginalização e nem capturados pelas distrações que o mundo oferece.

Ao invés disso, Deus tem nos chamado para ser uma demonstração – um tira-gosto – do Reino de Deus, no meio do mundo real. Isto significa que temos, não somente, uma mensagem para anunciar, mas temos que incorporar esta mensagem na nossa vida diária. Por isso, não podemos conceber a nós mesmos como sendo uma igreja “com” um programa de missões; nós temos que nos ver e entender como sendo, de fato, uma congregação missionária. Emil Brunner disse que “Missão é para igreja o que o queimar é para o fogo”.

É tempo de aprendermos a ser missionários. Missão jamais pode ser apenas o que a igreja “faz”. Missões é o que somos. A comunidade de Deus é fundamentalmente um encontro missionário com cada cidade, setor, bairro e vilarejos, neste universo. 

domingo, 19 de junho de 2011

PASTORES, DIALOGEM COM AS MULHERES VOCACIONADAS AO MINISTÉRIO PASTORAL!

Uma reflexão sobre como pastores podem ser agentes de milagres na história da ordenação pastoral feminina dos batistas brasileiros.

“Ora, uma dentre as mulheres dos filhos dos profetas clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao Senhor. Agora acaba de chegar o credor para levar-me os meus dois filhos para serem escravos.
Perguntou-lhe Eliseu: Que te hei de fazer? Dize-me o que tens em casa. E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.
Disse-lhe ele: Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, não poucas.
Depois entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos; deita azeite em todas essas vasilhas, e põe à parte a que estiver cheia.
Então ela se apartou dele. Depois, fechada a porta sobre si e sobre seus filhos, estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia.
Cheias que foram as vasilhas, disse a seu filho: Chega-me ainda uma vasilha. Mas ele respondeu: Não há mais vasilha nenhuma. Então o azeite parou.
Veio ela, pois, e o fez saber ao homem de Deus. Disse-lhe ele: Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto.” (II Reis 4.1-7).

A história é simples. Dois filhos de uma viúva serão vendidos como escravos para pagar as dívidas dela. A mulher suplica que Eliseu a ajude. Ele a ouve e fala o que Deus deseja que ela faça. Ela ouve e faz o que o profeta diz. Deus a abençoa por confiar em Sua palavra e multiplica o azeite que ela tem. Ela vende o azeite, paga suas contas e seus filhos não são vendidos como escravos.

As lições são diversas.

Quero apenas refletir neste artigo a respeito do procedimento de Eliseu mediante a crise vivenciada por esta mulher e sua família, traçando uma ponte hermenêutica para a situação em que se encontram as pastoras não reconhecidas pela OPBB.

Ele começou um diálogo que geraria um milagre.

Eliseu nos mostra que diante de uma causa, de uma aflição, de uma situação limite o que se deve fazer é criar um espaço de diálogo expressado através de perguntas, no caso dele, “Que te hei de fazer?”

Tenho percebido nesta jornada da ordenação feminina batista brasileira que um grupo expressivo de pastores, alguns até bem intencionados, querem dar respostas às irmãs que desejam ser pastoras sem ouvi-las, sem conversarem, buscando elementos para subsidiarem soluções em suas causas. A própria instituição OPBB é hermeticamente fechada a qualquer tipo de diálogo. Este procedimento traz pelo menos dois grandes riscos.

O primeiro deles é os pastores acharem que possuem todas as respostas e que podem sozinhos resolver todas as questões; o segundo é as pastoras, não podendo dialogar dos pastores, caminharem sozinhas buscando outros opções que não sejam junto aos “homens de Deus”, o que seria uma perda irreparável.

Na verdade, o caminho sempre deve começar com o diálogo. Etimologicamente diálogo é a discussão ou troca de idéias, conceitos, opiniões objetivando a solução de problemas e a harmonia. Na prática, a importância do diálogo está no fato de estabelecer relacionamentos não hierárquicos, mas no mesmo nível de igualdade ainda que cada um tenha expressões singulares em suas ações ministeriais.

Elas precisam do diálogo com os pastores. Elas precisam falar não ao ar, mas com pessoas que possuem a mesma vocação, dores e alegria. Falar do que possuem, pouco ou nada, mas precisam verbalizar para que se sintam parte do processo e, ao mesmo tempo, precisam ser ouvidas pelos pastores que possuem maior experiência nos caminhos da ordenação sacerdotal, pastoral.

Voltando a história, o diálogo não foi estéril, mas gerou atitude da parte do profeta. Ele, percebendo toda a situação a partir da própria visão da mulher, vai agora apontar um caminho. Interessante que é um caminho solidário, comunitário e não de percurso solitário. Ela precisa ir a cada uma de suas vizinhas e contar com a ajuda delas.

A solução se dá novamente por diálogo, ajuda mútua e a comunidade. As vasilhas são doadas, o azeite é colocado, é vendido e o que estava em desordem entrou em ordem. O milagre aconteceu.

Quando há diálogo há a possibilidade do milagre.

Os pastores de hoje podem ser como um Eliseu nas vidas das pastoras. Pastores que acreditam na causa defendida por elas; pastores que facilitem o caminho de mulheres vocacionadas ao ministério pastoral e encaminhem a consagração delas; pastores que também contem com a ajuda de pastoras em seus ministérios; pastores que percebem filhas, parentes e mulheres vocacionadas em suas igrejas e as incentivem na formação e ministério; pastores mestres que, atuando em seminários e faculdades teológicas, detectam na vida de se suas alunas a expressão da vocação pastoral e as respeitem; pastores escritores e teólogos que exercem uma hermenêutica não fundamentalista, mas bíblica contemporânea e não tenham receio de se expor apoiando o ministério pastoral feminino; e, por que não dizer, a liderança da OPBB, já que a instituição tem pastoras em seus quadros, abrindo um caminho de diálogo com elas e não tratando-as com desprezo como tem acontecido na maioria das vezes até aqui.

Creio que se pastoras e pastores dialogarem em todos os níveis eclesiásticos novos rumos serão tomados e, com certeza, o final da história será melhor do que o início e a obra de Deus entre o seu povo será glorificada.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

“SAI DE TUA TERRA E VÁ PARA ATERRA QUE TE MOSTRAREI”

Texto Bíblico: Gênesis 12: 1
“ORA, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei”.
A ordem de Deus a Abrão foi clara: “Sai da tua terra e vá para outra terra que eu te mostrarei.”
É interessante que Deus convidou um homem essencialmente urbano para fazer a sua vontade quanto a formação do seu povo. Não sei se todos tem essa consciência.
Mas Abrão cresceu em UR dos Caldeus... provavelmente, de acordo com pesquisadores, ele deveria ter morado em uma das casas aristocráticas de dois andares. Devia ter passeado junto aos muros do grande templo e pelas ruas, e, levantando a vista, seu olhar devia ter encontrado a gigantesca torre escalonada com seus cubos pretos, vermelhos e azuis circundados de árvores. Ele foi cidadão de uma grande cidade e herdou a tradição de uma civilização antiga e altamente organizada. As próprias casas denunciavam conforto, até mesmo luxo. Encontramos cópias de hinos relativos aos cultos do templo e, juntamente com eles, tabelas matemáticas. Nessas tabelas havia, ao lado de simples problemas de adição, fórmulas para a extração das raízes quadrada e cúbica. Em outros textos, os escribas haviam copiado as inscrições dos edifícios da cidade e compilado até uma resumida história do templo.
Portanto, Abraão não era um simples nômade: era filho de uma metrópole do segundo milênio antes de Cristo.
Abrão vai para Canaã, a antiga denominação da região correspondente à área do atual Estado de Israel (inclusive as Colinas de Golã), da Faixa de Gaza, da Cisjordânia, de parte da Jordânia (uma faixa na margem oriental do Rio Jordão), do Líbano e de parte da Síria (uma faixa junto ao Mar Mediterrâneo, na parte sul do litoral da Síria) conf. (Números 34:1-15 e Deuteronômio 3:8).
Portanto, é mandado para uma região de várias cidade.
Tudo isto nos faz pensar que a cidade está no coração de Deus e por isso ele chama a sua igreja, para que uma vez tendo a “cultura urbana” possa transitar entre cidades levando o evangelho que transforma qualquer estrutura social porque transforma o indíviudo em sua essencia.
As Igrejas de nossas cidades precisam entender que são urbanas. Elas são os Abraãos contemporâneos. Isto significa dizer que elas precisam mover-se para as cidades.

A missão da igreja deve ser realizada nas cidades.
1 - As cidades são o lugar onde as Igrejas podem alcançar a próxima geração (jovens adultos querem viver na cidade);
2 – As cidades atingem mais pessoas inacessíveis (as pessoas são muito mais abertas ao Evangelho na cidade cosmopolita do que em sua cidade natal);
3 – As cidades alcançam as pessoas que têm um grande impacto no mundo (empresários, artistas, políticos);
4 – As cidades atingem os pobres (cerca de um terço dos moradores da cidade vivem em favelas).
5 - “Os seres humanos, de acordo com Gênesis 1, são feitos à imagem de Deus e refletem a glória de Deus mais do que qualquer outra coisa na criação,”
Nas cidades, temos mais imagem de Deus por centímetro quadrado do que em qualquer outro lugar do mundo.
As igrejas urbanas entendem que precisam amar o que Deus ama e por isso amam a cidade.
Temos que ver a cidade não apenas do ponto de vista sociológico, mas principalmente pelo ponto de vista teológico – Deus quer restaurar a sua cidade, tornando-a cidade fiel.
Quais os desafios de uma igreja urbana?
1 – Igrejas urbanas precisam ser contextualizadas, a fim de serem eficazes. Uma Igreja urbana é diferente de uma Igreja na zona rural. Ela deve insistir em sua contextualização.
Uma Igreja urbana, que tem pessoas de muitas culturas, subculturas, tribos deve ser extremamente paciente quanto às acusações de insensibilidade cultural e deve esperar ser acusada disso. Pastores de Igrejas urbanas devem aceitar que eles nunca poderão resolver queixas de insensibilidade cultural, mas que eles podem aprender com as críticas.
2 – Igrejas urbanas precisam mostrar às pessoas como sua fé se relaciona com seu trabalho porque os empregos são uma parte muito maior da vida de moradores urbanos.
Temos que ajudar as pessoas a aplicarem a sua fé no seu trabalho.

3 - Igrejas urbanas precisam esperar desorganização e mudanças; serem intensamente evangelísticas, mas ao mesmo tempo, famosas por sua preocupação com a justiça, serem comprometidas com as artes, e cooperarem com outras denominações e fé.
4 – Igrejas urbanas precisam agir com gestos e ações específicas -
a. Fome, a ausência de alimento suficiente, ou a falta de uma boa alimentação, ainda é uma realidade para a população urbana pobre. Mas o memorial do culto cristão é a ceia da comunhão: as pessoas se reúnem para ser alimentadas à mesa do Senhor. Os cristãos partem o pão e bebem o vinho juntos, simbolicamente proclamando que a igreja é uma comunidade onde os alimentos, celestiais e terrenos, estão disponíveis. Uma comunidade que chama seu Senhor, o pão da vida e cria uma refeição simbólica, a Ceia, que, naturalmente, transborda para outros ministérios de alimentação, tais como cozinhas e cantinas e doações de alimentos. Com e através da Ceia e o alimentar, a igreja urbana deve proclamar o evangelho que sacia os famintos que estão fora;

b. A cidade é caracterizada por más instalações educacionais. Um grande entrave para a reforma da base econômica da cidade é a falta de vontade de quem pode pagar para fazer o contrário de submeter seus filhos à insuficiência de escolas urbanas. Contudo, no meio da cidade está uma igreja que é o descendente da sinagoga judaica, que era principalmente um centro de ensino. A igreja capacita o seu povo e traz para a vida da tradição cristã, permitindo que o nosso património se tornar uma força no nosso presente. Aqui as questões morais da vida podem ser explorada. Na igreja dos valores étnicos dos diversos povos podem ser comemorados, suas línguas e culturas diferentes, enriquecendo o outro. É vital para a igreja urbana levar a sério sua função de ensino como uma comunidade cristã, consciente si mesmo. Aulas de Bíblia, sermões eficazes, grupos de estudo, conferências de fim de semana, mesmo retiros precisam ser uma parte da crescente consciência de Deus das congregações da cidade. O Deus que se opunham à guetização dos escravos israelitas do Egito é o mesmo Deus que é adorado nas igrejas da cidade. O Deus que falou através dos profetas para acabar com a opressão humana ainda é o Deus de toda a igreja. A história bíblica continua na vida existencial dos moradores da cidade;

c. A vida urbana não é bonita. A coleta de lixo é geralmente pobre. Lixo nas ruas. Muitas casas estão em más condições. Muitas pessoas da cidade são tão deprimidas que elas deliberadamente preenchem suas vidas com a feiura, como

um comentário inconsciente na forma como elas se sentem valorizadas por outros. Por isso, é especialmente importante que as igrejas da cidade sejam locais de beleza. Suas ordens de cultos, liturgias devem ser sensíveis e magníficas. O dinheiro gasto para embelezar os templos urbanos não deve ser considerado desperdiçado, porque a beleza é um dom que cobiçam os pobres. As igrejas precisam testemunhar o poder da beleza e do sentido de cuidar do ambiente de maneira limpa. Uma Igreja Urbana precisa brilhar como centros de beleza, como símbolos de esperança, como sinais do Reino. Eles precisam estar vivendo parábolas do cuidado de Deus;

d. A cidade tem cada vez mais se tornado um lugar de violência. Crimes contra pessoas e bens faz temer o morador da cidade. A vida se restringe quando as pessoas devem procurar a segurança acima de realização. Mas no meio da cidade está uma igreja - uma igreja que é, em si, às vezes vítima de violência e cuja principal símbolo é uma cruz. A história da cruz se desdobra, nela se encontra um amor divino que supera o ódio, e um Senhor vivo que transforma a morte. Somente na igreja que o morador da cidade ver o símbolo da violência redimida, o desespero da morte derrotada. Por todas estas razões, a presença simbólica da igreja da cidade é necessária à causa de Cristo - e, desde que necessário, merece o apoio e o investimento de, tempo e talento de todos os tesouros do povo de Deus;

e. Na cidade, onde encontrar moradia adequada e segura é uma preocupação constante, é como uma casa - uma casa de Deus - que a igreja realiza o seu testemunho. Ela precisa ser o que a moradia significa para as pessoas: um refúgio, um abrigo, uma arca para levar-nos através da tempestade. Embora a igreja não tenha nem o poder nem os recursos para resolver problemas de habitação urbana, pode ser uma casa acolhedora para os sem-teto, uma casa para aqueles que foram traumatizados, um refúgio para aqueles que estão perdidos. Pode ser a casa do último recurso, quando as estruturas habitacionais falharem, a casa de Deus para aqueles que procuram deve ser um lar abençoado;

Nós somos a igreja do Senhor encarnado que amou tanto o mundo que nasceu em nossa vida humana, sua presença virou um estábulo comum em um santuário de majestade. Sua vida transformou uma cruz de execução em um símbolo da ressurreição. Porque nós servimos a este Senhor, a igreja cristã é uma presença simbólica que pode transformar o desespero da cidade em esperança, a feiura da cidade, em beleza, o poder destrutivo da cidade, em redenção. Na igreja os sem-teto devem encontrar abrigo, aqueles de diversas origens, devem ser-lhes dados uma comunidade e os famintos podem se reunirem em torno do altar para serem alimentados com o pão e o vinho da Ceia do Senhor Jesus Cristo.

A igreja é uma presença, um posto avançado do Reino de Deus, uma luz na escuridão que as trevas jamais poderão extinguir ou subjugar. Nossa vocação é sermos nós mesmos. Algum dia mais cristãos dos subúrbios, das cidades reconhecerão que este testemunho é profundamente importante para eles. Então, talvez, toda a igreja irá colocar os seus recursos onde a necessidade está, não porque somos generosos, mas porque a nossa integridade como povo de Deus exige.

A igreja será verdadeiramente urbana.

sábado, 19 de junho de 2010

ONDE DEUS ESTÁ? A Situação de Nossas Instituições Batistas


“Onde Deus está?”, os repórteres perguntaram a Billy Graham por ocasião do atentado terrorista das torres gêmeas, EUA. O grande pregador respondeu mais ou menos assim: “Deus está nos bombeiros que estão trabalhando dia e noite para resgatarem os sobreviventes, nas centenas de pessoas solidárias que ajudam através do trabalho braçal e doações e dos paramédicos.”

Nestes dias tão complexos que estamos vivendo como denominação por causa da situação dos seminários teológicos, dos nossos centros educacionais e outras realidades que nos causam profunda tristeza de alma, precisamos de uma resposta para a pergunta: Onde Deus está trabalhando? Caso contrário, ficaremos perdidos e tudo o que fizermos sem sentido.

A resposta que vamos dar não é fácil. Trilha o caminho do diálogo e de uma profunda reflexão que deve ser feita com toda a humildade e por pessoas que realmente possuam o interesse de ver a obra do Senhor dignificada, apontando a todos respostas que os levem a crer na soberania de Deus, apesar da pecaminosidade e limitações humanas e não os deixem incrédulos da vida denominacional.

Onde Deus está?

Talvez na própria reflexão dos líderes que não possuem outra alternativa a não ser pensarem sobre o assunto, sobre os pecados e confissões que se fazem necessários nesta hora;
Na coragem que precisa ser empreendida para a tomada de decisões que rompam um ciclo viciado de cultura gerencial;
Numa politicagem que será desbaratada dando lugar a ações de justiça, amor e santidade;
Na solidariedade de líderes e igrejas que querem resolver os problemas sem jogarem tudo para o alto;
Nas estruturas que vão surgir para solucionar o caos e que servirão de atos preventivos para o futuro das diversas organizações de nossa denominação.
No surgimento de ‘profetas’ institucionais que declarem a vontade de Deus para a denominação e são acatados como instrumentos dele para a saúde de nossa organização batista.
No descobrimento de homens e mulheres de Deus capacitados para exercerem com eficácia e eficiência o serviço de Deus por terem sidos preparados por ele para esta hora.

Na busca de soluções é preciso não só reuniões sobre estratégias e prováveis soluções, mas respostas também. Não qualquer uma, mas a que nos dará condições para progredir.

Quando percebemos onde Deus está agindo nas perdas, descobrimos não somente ele, mas a tenacidade para continuarmos na jornada do dia a dia e a esperança para ir em frente, crendo que dias melhores virão. Sua soberania nos dá a absoluta certeza de que não estamos desamparados. Ele continua no alto e sublime trono.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A FILHA DE FARAÓ: QUEM SE IMPORTA?

Sobre mulheres ao pastorado batista

A causa não somente é nobre, mas é justa. Mulheres chamadas por Deus para exercerem o ministério pastoral precisam de espaço legitimado em nossa Convenção e na OPBB e enquanto isso não ocorrer como precisa acontecer, para usar a expressão preferida do nosso presidente Lula, a luta continua. Uma luta não com espadas, mas com o cajado. Uma luta que se trava não em um dia, como Davi e Sansão, mas no dia-a-dia como o próprio Davi e Saul, que desafia até a última hora a própria fé. Mas não podemos deixá-las lutar sozinhas, nós os pastores, isso é injusto. Afinal de contas é de se esperar que sejamos hábeis no cajado, não é verdade? Temos que ajudá-las neste santo ministério de exercerem seu dom em toda amplitude que se precisa ter. Creio no trabalho em parceria. Como se faz isso?

Nestes dias estava lendo a história de Moisés, a narração que se encontra em Gênesis 2:1-10 e me detive não nos hebreus, em Faraó, Joquebede ou Miriam, mas na filha do imperador. Sempre em minhas devocionais tenho me perguntado o que tenho a ver com o texto lido. Com os hebreus creio que somente a fé, pois não me encontro sobre a opressão de um ditador, de um poder déspota, em relação à situação financeira e de conforto estou mais para ser um Egípcio do que um hebreu; com Faraó muito menos. A dor da mãe e da irmã de Moisés também não é a minha. Então só me resta a filha de faraó. É possível aprender com alguém que não faz parte da aliança com Deus? Claro que sim. Quais as lições que esta mulher rica e poderosa pode ensinar àqueles que querem fazer a vontade de Deus cooperando com as pastoras em seus pleitos?

É preciso ver. Ela viu o bebê dentro de um berço de junco. Nem sempre é fácil ver, ainda mais quanto o objeto de nossa visão não faz parte do nosso mundo, das nossas preocupações, como no caso da princesa do Egito. Não sabemos o nome desta moça, nem o seu temperamento, o grau de sensibilidade que tinha diante do outro, o que nos facilitaria chegar à conclusão porque ela viu. O fato é que apesar de não a conhecermos ela parou o seu banho para ver. Tudo começa com a disposição que temos de ver o que está em nosso rio, onde nós confortavelmente estamos nos banhando. É incrível que mesmo diante de tantas pastoras no cenário batista, mais de cem, pastores do gênero masculino continuam querendo, propositalmente, ignorá-las como se elas não existissem. Ainda estão discutindo se é ou não é bíblico, questões sociológicas, econômicas e espirituais. É como que Moisés passando diante das vistas da princesa e ela não olhasse. Isso até poderia acontecer com ela, pois não era do povo de Deus, mas quando acontece com homens de Deus é lamentável. Nós pastores-homens deveríamos aprender a olhar com o nosso mestre Jesus. Seu olhar sempre foi atento para os marginalizados e para com aqueles que precisavam de ajuda, particularmente com mulheres. É preciso deixar o colírio de Deus dilatar nossos olhos para identificar nossos problemas de visão e nos receitar as lentes com graus corretos para que vejamos o que precisa ser visto.

É preciso querer abraçar. A filha de faraó não somente viu, mas resolver tomar o bebê em seus braços, criá-lo, providenciar tudo para o seu crescimento sadio. Como isso foi possível? Creio que um milagre aconteceu, pois o normal seria ignorar a criança ou no máximo providenciar uma pessoa para cuidar dela, de preferência que não tivesse nenhuma ligação com o reinado. Há muitos filhos no Egito! Ela assumiu a maternidade tendo um filho hebreu do coração. Trouxe um fruto da escravidão para dentro de seu mundo, de sua casa. Absolutamente incrível esta mulher. Outro dia soube de um pastor famoso em nossa denominação que disse o seguinte: `Não está em minha agenda o assunto das pastoras por isso não me pronuncio´. Outro ainda disse: ´Não sou vocacionado por Deus para abraçar esta causa, deixo para os que são´. Sinceridade à parte, o inferno está cheio de gente sincera, a questão presente é de luta por justiça e quem não é chamado para tal? E que agenda pessoal não cabe tal pauta? Sinceramente o que falta são pastores-homens que queiram abraçar a causa como a princesa assim procedeu com Moisés. Não é um abraço de guerrilha, como só nós homens sabemos dar, mas um abraço cheio de compaixão porque assim como aquela pequenina criança no rio, as pastoras precisam de ajuda eficaz para não serem devoradas pelo próprio rio. A advertência ao não abraço é a do próprio Deus: não nos deixará sem o julgamento necessário pelas obras que deveríamos fazer e não as fizemos.

É preciso entender os momentos. Era um pequeno momento de banho. Prazeroso com certeza. Nunca aquela moça poderia imaginar que sairia dali como mãe e entraria na história do povo de Deus, não é verdade? Tenho aprendido que os momentos que menos esperamos são os que acontecem coisas em nossas vidas que mudam a nossa história, são as ocasiões em que muitas vezes Deus age e precisamos estar atentos para isso com o prejuízo de perdermos o kairós de Deus em nossa própria história e na história de Deus no mundo. Sua atitude determinou muita coisa na vida de Moisés e do povo hebreu. Nós pastores-homens precisamos perceber estes momentos que Deus tem nos dado para refletirmos nas atitudes que devemos tomar para que as mulheres pastoras possam, como grupo escolhido por Deus, se desenvolver sadiamente. Talvez nesta caminhada tenhamos que assumir a ´paternidade´ que, apesar de serem mulheres, as trazemos para junto de nós porque entendemos que temos condições de dar um futuro melhor e mais do que isso, o essencial, compreendemos que Deus preparou esse momento em nossas vidas para salvarmos um ser que precisa de ajuda, pois está em uma situação injusta.Sempre me pergunto nesta hora o que Deus quer que eu faça de relevante no seu reino? Penso em grandes coisas. Mas tenho aprendido que são as pequenas que movem o mundo ao meu redor. Quem se importa? Como a princesa do Egito, hoje a OPBB possui todas as condições para ajudar nossas irmãs em sua trajetória de peregrinação e fé. Muitos de nós pastores-homens estão em lugares estratégicos no rio de nossa denominação, têm prestigio, inteligência, livre transito, relacionamentos que fazem diferença, possuem o dom do ensino e da prédica, são estudiosos e convincentes quanto a proferir a vontade de Deus de maneira contextualizada e bíblica. Resta saber se realmente estão dispostos a ver, a abraçar e a entender o que o Espírito de Deus está dizendo à igreja, como ele está se movendo nas águas do rio e em seus corações.

FILHAS ALTIVAS; PASTORAS QUE LUTAM

Gostaria que neste pequeno artigo ficasse registrada minha solidariedade e apreço pelas pastoras da CBB que lutam pela justiça, à propósito da participação delas em Cuiabá,em janeiro de 2010.

Mulheres não são iguais. Nem todas possuem as mesmas posturas. Há mulheres altivas e as lutadoras. As duas posturas são excludentes e inconfundíveis.

As filhas de Jerusalém
O texto de Is. 3.16-23, refere-se às mulheres de Jerusalém no 80 século AC, as filhas do povo de Deus. A síntese da constatação profética está na primeira frase: são altivas. Passeiam pelas ruas da cidade com uma postura de olhos, passos, sons, enfeites que ofendem a Deus. Digno de nota aqui é a ofensa a Deus, que o escritor faz questão de frisar e não aos homens ou as outras mulheres. E por que ofendem a Deus? Porque agem como se não houvesse uma causa a defender e razões para lutar. Estão tão confortáveis sobre suas próprias conquistas e riquezas que se esqueceram da injustiça feita com os órfãos e com mulheres como elas que ficaram viúvas e que sofrem, além da dor da solidão, as perdas econômicas e sociais. O julgamento do próprio Deus será cruel: a escravidão marcada na própria pele por sinal de desobediência à lei do Senhor. Todos veriam e saberiam o resultado de não ser justo e sim ímpio no sentido mais exato dos termos.

As Pastoras
Que diferença das mulheres pastoras que passeavam nos corredores da CBB em Cuiabá, MT, no mês de janeiro de 2010! Ao contrário das de Jerusalém, embora andassem como elas, entre o povo, movimentavam-se numa postura de justiça e retidão. Poderia afirmar por testemunho próprio, corriam. Femininas sim, encantadoras, por que não? Com todos os seus atavios digno de nota, mas com algo muito além do que se podia ver: sentimento de luta por uma causa que ultrapassa as suas próprias vidas e objetivos. Uma batalha por dois valores de suma importância no reino de Deus: justiça, michpat, traduzido por direito, por busca do prevalecimento do que é absolutamente certo diante de Deus e de todos; retidão, tsédeq, como aspecto pessoal do cumprimento do direito.
Na hora da votação por direitos igualitários na OPBB, pararam de andar e sentaram porque tudo o que se poderia fazer, fizeram. Agora somente restava oração, fé, lágrimas e a certeza de tarefa de casa bem cumprida. Puderam sentar-se porque tiveram uma postura ativa, eficiente e eficaz antes da hora da decisão.
Deus ficou alegre. Com certeza seu julgamento a elas não foi de destruição, mas de vitória. Ele veio com seu poder e glória, de maneira tão surpreendente fazendo justiça com a causa que elas defendiam, porque ele não deixa jamais sozinho aquele que o busca e faz a sua vontade.
Porque há mulheres que insistem em ter outra postura que não a altivez ainda há esperança para Israel.
Filhas – pastoras de Israel - não desistam! Deus prevalecerá e tudo o que não está completamente aplainado, o será.

POR UMA CARTOGRAFIA DO ESPAÇO CULTURAL FEMININO

Mapa é uma representação do espaço

Tenho acompanhado toda a discussão sobre o pastorado feminino e o que percebo, na maioria das vezes, é a falta de dados precisos sobre o mesmo, principalmente por parte de líderanças denominacionais que influenciam em decisões importantes quanto ao futuro de nossa denominação como a própria OPBB que deveria ser a primeira a ter computado informações claras nesta área. Até onde tenho conhecimento, a primeira fonte precisa de informações quanto a esse assunto veio de uma pastora que modestamente começou a criar um banco de dados para saber os nomes, os lugares e o tempo de função pastoral feminino em todo o Brasil, a Pra. Zenilda Reggiani Cintra.

O interessante é que as decisões até então tomadas que atingiram nossas pastoras e o quadro pastoral da CBB foram tomadas no escuro, pois sem dados precisos não há luz necessária para se ver por todos os ângulo do assunto em pauta, o que foi e é uma lástima.

Defendo veementemente um mapeamento do espaço pastoral feminino na CBB. Uma cartografia. Só então poderemos trabalhar de maneira objetiva e concreta com o novo em nosso meio.

Cartografia (do grego chartis = mapa e graphein = escrita) é a ciência que trata da concepção, produção, difusão, utilização e estudo dos mapas. Aqui uso o termo no sentido lato para expressar o desejo de se ter um mapeamento sobre a pastoral feminina desde o seu surgimento nas igrejas batistas da CBB.

É claro que não estou pensando apenas no desenho escrito do número das pastoras já existentes, que já é algo por si só expressivo, mas na análise da história da participação dessas mulheres que tiveram que lutar uma batalha praticamente sozinhas para chegarem a ser participantes do ministério pastoral. Um mapeamento que leve em conta o porquê da fala ou do calar-se, as memórias positivas ou negativas que guardam em toda a jornada de fé e as consequencias em suas histórias pessoais e ministeriais. Um mapeamento que se torna em si mesmo um apelo para escrever uma história das mulheres e para circular seus problemas àqueles de outras histórias como em nosso caso pastores do gênero masculino. Essa atitude poderá modificar o quadro geral da história destas que simplesmente querem ter o direito de exercerem com legitimidade seu dom, no caso pastoral no conjunto da história de nossa denominação. Uma cartografia empreendida que acompanhe os contornos, as mudanças e as rupturas, bem como as multiplicidades que envolvem os comportamentos, os sentimentos e a sensibilidade de cada pastora envolvida na prática pastoral denominacional.

Para que isso se torne realidade é preciso ouvi-las e para isso não se precisa fazer uma tese de mestrado e doutorado. Nem estou pensando em um GT que vai trabalhar o assunto pastoras (como já houve no passado), isso é algo puramente sistêmico e administrativo. Estou pensando em algo mais simples, no entanto mais profundo: sentar-se com elas e no mesmo nível de autoridade – homem e mulher – conversarem refletindo sobre suas vivências.

Deveriamos ser muito bons nisto uma vez que nosso sistema de governo eclesiástico está baseado na democracia, no sistema congregacional onde, por premissa, o falar e o ouvir fazem parte intrínseca do processo, mas não o somos, na prática, quando “o poder” se impõe contra a parte fragilizada, a mulher, pela opressão e a não legitimidade no sistema

Fica aqui o apelo: vamos lutar para um mapeamento. Lutar por conversas criativas, com palavras saudáveis que resultem em resenhas que traduzem nossa visão sobre o assunto pela ótica correta e balizada. E quem sabe depois de ouvir suas histórias de vida e de luta possamos ir à luta como Baraque e ganharmos a batalha.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

RE-Inicio


Depois das celebrações de domingo. Não qualquer domingo, ou domingo em que sentimos o céu na terra – tudo deu absolutamente certo, o povo saiu jubilante, você saiu na certeza que tudo foi bom. Mas aquele domingo que você sai do templo completamente arrasado, triste, frustrado, confuso, com a certeza de que não vale a pena fazer o que está fazendo e continuar.

O que fazer quando isto acontece? Quando os domingos se transformam em segundas, terças... num ciclo inacabável. Quando as sextas existem e a gente espera que os domingos sejam de alegria, de ressurreição e não o são?

Realmente, a resposta, com toda sinceridade, não é tão fácil se dar. Porque às vezes eu mesmo não sei qual o caminho a se tomar. Graças pela segunda-feira, que é o dia de minha folga, em que posso colocar os pingos nos is. Graças ao outro dia que, de alguma forma, Deus nos proporciona pela sua graça como um dia para refletirmos e tomarmos decisões que realmente contribuam para o seu Reino, nossas vidas e as dos nossos queridos – família e igreja.

Ao longo dos anos, algumas coisas tenho feito para re-iniciar minha trajetória que quero partilhar com você neste capítulo na esperança que depois do domingo, digamos “trágico”, você possa continuar seu ministério.

1 – Tenha absoluta certeza da soberania de Deus

Deus está no controle – graças, muitas vezes graças a ele por essa ação magnífica em nossas vidas e na vida de nossa igreja.

Os pensamentos são muitos....por que fiz isto? Por que não fiz? Eu deveria ter dito ou não dito isso...vai dar uma confusão... eu mexi onde não deveria, e agora? Estou quieto em meu lugar e os problemas aparecem de onde menos espero, estou com medo de tudo ir por água abaixo.

E esses pensamentos trazem tortura, ansiedade, medo e até pavor na vida de alguns. Em alguns casos doenças crônicas em temos emocionais, físicos e espirituais.

Nesta hora temos que trazer a mente que Deus está no controle.

O Profeta Jeremias profetizou ao seu povo o seguinte: “Como um espantalho numa plantação de pepinos, os ídolos são incapazes de falar, e têm que ser transportados porque não conseguem andar. Não tenham medo deles, pois não podem fazer nem mal nem bem. Não há absolutamente ninguém comparável a ti, ó Senhor; tu és grande, e grande é o poder do teu nome. Quem não te temerá, ó rei das nações? Esse temor te é devido. Entre todos os sábios das nações e entre todos os seus reinos não há absolutamente ninguém comparável a ti”. Jer. 10.5-10. Deus estava falando ao seu povo para que ele não tivesse medo do espantalho como os corvos tinham e se afastavam da plantação, porque o espantalho era absolutamente sem poder para controlar as emoções e as atitudes do povo. Deus é maior, é soberano. Na verdade o que Deus está dizendo é o seguinte: “Eu sou soberano. Vocês erraram, mas eu estou no controle da história, prossigam”.

Que palavra poderosa que temos que trazer a mente a todo o momento, principalmente quando as coisas parecem que não estão dando certo.

Um líder não deve encarar o domingo desastroso em sua igreja como um espantalho em sua vida. Se a plantação é sua, dada pelo Senhor da Seara, fica na bênção, tome posse, não se afaste dela. Lute contra o medo, coloque o foco de sua visão no Senhor, ele vai abençoá-lo.

Paulo teve esta experiência quando estava indo para o seu julgamento em Roma à bordo de um navio. Lembram-se do que aconteceu? Um tufão surgiu levando a embarcação à pique. É como um domingo ruim que de repente surgiu sobre a vida do apóstolo. O que ele fez? Está tudo narrado no cap. 27 e 28 de Atos. Bem, primeiramente ele teve voz profética: ele falou - v. 10; ele continuou trabalhando, v. 19,20; ele compreendeu a vontade de Deus, v. 21-26 e que o seu Deus está interessando em salvar o seu ungido, v. 27:42-43 e 28:1-6.

Agora podemos traçar um paralelo com o profeta Jonas que também teve que enfrentar um domingo pesado em sua vida. É claro que as tempestades vieram por motivos diferentes. Na vida de Paulo por provação, na vida de Jonas por desobediência. Qual foi a atitude de Jonas? Em Jonas 1 e 2 podemos perfeitamente acompanhar seus passos. Foram pisadas de medo, atitude passiva - se escondeu e dormiu. O resultado? Foi para o fundo do mar, para dentro de um grande peixe e por fim, vomitado na praia.

Sabe, tenho visto muitos líderes vomitados e quando isso acontece ainda dou graças a Deus porque se Deus fez isso é porque ainda tem um plano na vida do obreiro. O pior é quando encontro líderes que eram uma bênção em seus lugares de liderança, mas quando vieram às tempestades terríveis não confiaram na soberania de Deus e ainda hoje não confiam e por isso estão num sono profundo levando outros ao completo desespero como aconteceu com o profeta Jonas.

O cantor Fernandinho tem uma música que gosto de cantar porque fortalece o meu entendimento sobre a ação de Deus. Ela diz:

O Deus de Abraão, de Isaque e Jacó
É o mesmo hoje
O Deus de Moisés, de Josué
É o mesmo hoje

Ele levanta os mortos
Sara e cura os feridos
O Deus que desde a eternidade esta no controle
O Deus que desde a eternidade esta no controle

O meu Deus é soberano
O meu Deus é soberano
Se o meu coração parar de bater
Ele sopra em minhas narinas e me traz de volta a vida

É preciso confiar em Deus. Completamente. Integralmente. Visceralmente. É preciso trazer a memória o que está no salmos 119.41: Que o teu amor alcance-me, Senhor, e a tua salvação, segundo a tua promessa.

2 – Tenha calma –

Não adianta se desesperar. Tenho conhecido muitos líderes que nestas horas abortam tudo porque simplesmente não deixaram a poeira abaixar. Foram rápidos nas tomadas de decisões e tomaram atitudes que na calma não tomariam. Alguns podem voltar atrás depois que se acalmaram, mas outros perderam tudo o que construíram a vida toda por não contarem até dez.

É preciso deixar o tempo e a fé em Deus agirem em parceria em nossas vidas. E isso pode acontecer através de vários meios usados por Deus.

Certa ocasião tive um momento muito difícil em minha liderança. Fiquei tão nervoso e fora de mim que saí de casa dizendo a minha esposa que iria para igreja escrever uma carta pedindo minha demissão e, realmente, fui para fazer isso. Mas ao chegar na igreja, minha esposa tinha ligado para uma pastora que faz parte da minha equipe pastoral e que estuda psicologia e disse o que eu iria fazer. Ela me procurou com muito jeito e começou a conversar comigo. E eu fui me acalmando, chorei um pouco, o que não fazia há muito tempo, e simplesmente desisti. Na verdade, hoje sei que Deus usou a vida de minha esposa, da pastora para ganhar tempo no meu emocional e eu poder me acalmar. Que besteira iria fazer. Deus pode nos acalmar, mas precisamos deixar ele fazer isso. Às vezes, ele vai usar pessoas queridas que estão ao nosso lado, outras vezes um “remedinho” virá em sua bula para nós, em outras situações nos levará a um lugar tranqüilo para refletirmos e muitas outras coisas ele pode fazer. Você pode ser como eu quanto fico nervoso e uma pessoa fala para mim: “Fique calmo”, eu falo: “Não me diga para ficar calmo, vou ficar mais nervoso ainda!” Contudo, é um bom conselho que, se aceitarmos, nos poupará muitos transtornos futuros.

Lendo Prov. 16. 32, descobri um princípio valioso que tenho procurado hoje aplicar em minha vida e que você também deve buscar aplicar: “Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade”.

O texto me ensina que apesar de toda a minha ira e nervoso posso, com a ajuda de Deus, controlar o meu espírito, não devo guerrear, pelo menos neste momento. Se temos que lutar, vamos fazê-lo com calma e prudência, com estratégia, mas nunca como loucos que sarem para a destruição porque geralmente quando isso acontece somos os primeiros a sermos destruídos.

Precisamos pedir calma ao Senhor porque ele pode nos dar está atitude. Veja o Salmo 65.7: “Tu que acalmas o bramido dos mares, o bramido de suas ondas, e o tumulto das nações”.

O nosso Pai quer acalmar o tumulto do nosso coração.

A calma sempre é boa conselheira em todos os momentos que atravessamos. Calma e tempo fazem mais que força e raiva. É simples, porque ela nos dá auto-controle necessário para calcularmos exatamente quais as ações que vamos tomar para continuarmos prosseguindo a nossa missão.

Arthur Schopenhauer, em "A Arte de Ser Feliz" diz: “Aquele que mantém a calma diante de todas as adversidades da vida mostra simplesmente ter conhecimento de quão imensos e múltiplos são os seus possíveis males, motivo pelo qual ele considera o mal presente uma parte muito pequena daquilo que lhe poderia advir: e, inversamente, quem sabe desse fato e reflete sobre ele nunca perderá a calma”.

Deus sabe o que você está sentindo. Do domingo ao outro domingo, à frustração de uma agenda exigente. Jesus entende. Quando você diz a Deus que chegou no seu limite, ele sabe o que quer dizer. Ele teve que aprender muito sobre como conquistar calma para fazer a vontade do Pai até o fim. Quando você balança a cabeça diante dos absurdos que acontecem dentro da casa de Deus, ele balança também. Quando seus planos são interrompidos por pessoas que têm outros planos, ele sente a mesma coisa. Ele esta lá e sabe como você se sente e está pronto a lhe presentear com a calma, a serenidade que traz a paz e a certeza de que tudo vai melhorar.

3 – Lembre-se de quem e o porquê você foi colocado na posição de liderança -

Uma das melhores definições de ministério foi a que recebi e....: “ministério é tudo o que você fez até o final de sua vida”.

Deus dá ministérios. É ele que nos coloca em determinada situação, local, é ele que diz os anos que você vai ficar e quando vamos recomeçar em outro local específico. Não são as pessoas. Às vezes elas acham, e nós também, que nossas vidas estão em suas mãos, mas não está. Está nas mãos do potente Deus.

Creio que por isso é tão importante termos absoluta certeza do nosso chamado porque, nestas horas, é ele que Deus usa como instrumento para continuarmos num céu sem estrelas.

Meu chamado foi algo marcante em minha história. Para fazer o que Deus queria que eu fizesse, ir para o seminário estudar, tive que vencer muitas barreiras até a ameaça de perder o emprego, pois para estudar teria que sair mais cedo do local onde trabalhava. No meu caso isso era muito sério, pois sustentava praticamente minha família e a igreja que pertencia não tinha condições financeiras para me mandar estudar no seminário teria que pagar todo o seminário. Mas fiz o que tinha que fazer. Me lembro que atrás de uma pilha de latas de tinta, em uma loja que trabalhava na época, orando e chorando, Deus me visitou naquele lugar e me disse: “Meu filho eu te Chamei e te sustentarei. Faça a minha vontade!” E foi exatamente o caminho que trilhei.

Então, quando acontecem os problemas, sou convidado pelo Espírito Santo a fazer uma visita ao passado. Não ao passado das lutas e tribulações, mas daquele momento especial, miraculoso em que Deus me deu e praticamente cravou sua promessa no meu coração. Aí eu levanto a minha cabeça e enxugo as lágrimas e saio de minha casa de cabeça erguida pronto para vencer os gigantes. Até agora tenho conseguido.

Se tenho essa graça em minha vida, você também pode ter. Depois de um domingo de pavor olhe para dentro de si, para a sua história de chamado e pince este momento, traga a sua memória e prossiga. Deus que chamou você há de sustentá-lo. Ele ainda está com você. Você ainda continua sendo o seu ungido.

Em meu celular quando ligo tem uma mensagem que faz lembrar isso e quantas vezes me salvou: “Você é Escolhido”. Sou mesmo e por isso continuo. Você é um escolhido e ninguém, nem mesmo o diabo, pode tirar essa verdade de você porque ela foi dada por um Deus que elegeu você dentro do ventre de sua mãe.

O apóstolo Paulo, diante no Rei Agripa, em Atos 26:16, afirma veementemente: “não fui desobediente à visão celestial”. Sua defesa foi baseada na convicção de que sua visão, não a humana, mas a espiritual, uma vez alcançada por Jesus Cristo, se tornou completamente comprometida com a obediência a Deus.

Creio que nós, líderes, muitas vezes não saímos do lugar, patinamos e até voltamos atrás porque paramos diante do que outros querem que vejamos e ouvimos o que muitos desejam que ouçamos. As ‘ovelhas’ urbanas querem pastorear a si mesmas e algumas a vida dos pastores. Não aceitam conselhos, querem torcer a Palavra de Deus e buscam o apoio de sua liderança para isso. Antes gritavam por socorro, hoje muitas gritam com seus líderes por não aceitarem a visão desses. As coisas estão confusas no cenário atual.

Interessante o que aconteceu com Paulo quando era Saulo. O texto, nos vers. 12 a 18, diz que outras pessoas estavam com ele quando Jesus se apresentou, mas somente ele viu. Os outros viram a luz, mas não o Senhor da luz, viram o clarão, mas não quem estava no clarão.

O líder cristão precisa ver o chamado sempre, reeditando-o de vez em quanto. Ver é uma questão também de aprendizado. Aprender a ver e ficar na visão do Senhor, eis aí o grande desafio.

Líderes do Senhor, devemos ficar nas visões celestiais que Deus nos deu para o nosso ministério e nos movermos por elas. Certamente, nossos ministérios serão abençoados e abençoadores e, no final de tudo, nossa defesa será: “Senhor, tu sabes que não fui desobediente a visão celestial”.

E as ovelhas rebeldes da casa de Deus? Bem...vamos deixar ele próprio cuidar delas. Ele é bom nisto.

4 – Amanhã será Melhor –

O passado aconteceu, não poderemos apagá-lo, mas poderemos pela fé caminharmos na certeza de que o melhor de Deus está por vir. E está mesmo?Eu creio! E você? No próximo domingo vai ser melhor.

Em Romanos 15.13: Que o Deus da esperança os encha de toda alegria e paz, por sua confiança nele, para que vocês transbordem de esperança, pelo poder do Espírito Santo”.

“Vou desistir, vou voltar atrás, estou arrependido de ter confiado que poderia dar certo, estou perdendo tempo, vou jogar tudo para o alto". É nesse momento que a esperança tem que voltar a nossa mente com toda força: "Quero trazer à memória o que me pode dar esperança" (Lamentações 3. 22).

Gosto do texto de Hebreus, cap. 6, onde encontramos a base para a nossa esperança e para não desistirmos. Nós podemos crer que amanhã será melhor porque nossa esperança está firmada na aliança que Deus fez conosco. Abraão esperou com paciência porque ele sabia que o próprio Deus firmou a promessa e deu seu próprio nome como garantia (v. 13). Nossa esperança é firmada na aliança de Deus e ele jamais quebra uma aliança.

Além disto, nossa esperança está firmada nas possibilidades de Deus. Devemos esperar com paciência (v. 15), assim como Abraão, porque podemos olhar as situações que nos cercam não com a nossa ótica, mas com a ótica de Deus. A promessa feita a Abraão é de que ele seria abençoado e que teria grande descendência (vs. 14). Mas um dia Abraão foi chamado por Deus, Deus pediu-lhe por sacrifício seu único filho, o filho da promessa, o filho a quem muito amava (Gênesis 22.2). Abraão poderia olhar a circunstância e perder totalmente a esperança. Poderia dizer "está tudo acabado, vou desistir, não valeu a pena esperar". Deus está nos falando nesta hora que precisamos renovar nossa esperança de acordo com visão de Deus e não a nossa.

Cremos também que tudo vai mudar porque nossa esperança está firmada na promessa de Deus. Abraão depois de esperar com paciência (longanimidade), obteve a promessa (v.15).

Lembre-se: Deus é fiel e não permitirá que nenhuma de suas promessas caia por terra. Precisamos aprender a esperar com a certeza de que nossa esperança nunca morre. Hebreus 10.23: "Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel”.
- Nossa esperança não está apenas baseada nas promessas para agora, para nosso bem estar ou felicidade. Mas nossa esperança está acima de tudo baseada na promessa de um futuro certo, de uma eternidade plena, de vida eterna.

No Salmos 40.1: " Coloquei toda minha esperança no Senhor; ele se inclinou para mim e ouviu o meu grito de socorro”. Deus se inclina, nesta hora, para aqueles que depositam nele a esperança.

5 – Resolva o que dá para resolver e não resolva o que não dá para resolver

Quando comecei o ministério queria resolver tudo imediatamente e, mesmo isto sendo feito biblicamente, em alguns casos isso só me trouxe sofrimento desnecessário e desgaste. Ao longo do ministério, mais maduro, tenho buscado o discernimento do que realmente vale a pena resolver e em que ordem de resolução eu darei para cada problema porque se eu quiser resolver tudo junto, eu sucumbo. Não é fácil ter este discernimento porque, entre deixar tudo às soltas e ser uma pessoa muito rígida, é difícil estabelecer um equilíbrio.

Você pode ser até acusado de postergar uma decisão ou uma solução, mas é melhor entender seus limites e ir até onde você se sente pronto para lidar com as diversas lutas.

Uma vez no meu ministério tive um grande problema com uma líder, membro de nossa igreja. Ela se aliou a um obreiro para me tirar do ministério. Este obreiro me ligou dizendo do que tinha acontecido e aparentemente estava sendo fiel a mim. Marquei com a mulher um momento no domingo para conversarmos e, quando cheguei, olhei do meu carro para o alto, para uma rampa na entrada principal, e vi os dois cumprimentando-se com abraços. Naquele momento, o Espírito Santo me disse: não tenha essa reunião, espere porque você irá ver o quadro completo da situação em poucos dias. Apesar de meu temperamento dizer para resolver rapidamente problemas, escutei a voz de Deus. Passou alguns dias e foi descoberto algo sério na vida desta irmã levando-a ao afastamento do corpo de Cristo local e o obreiro foi dispensado pela direção da igreja. Aprendi a lição: há coisas que precisamos tomar atitudes rápidas, mas há outras que precisamos esperar Deus mostrar todo o quadro porque o que vemos é apenas a moldura e não toda a pintura.

Uma ótima maneira de resolver problemas é o que podemos chamar de segmentação. Este método se baseia na aplicação do principio de que, se segmentarmos ao máximo o processo, é fácil fazer algo. Existe um exemplo extremo deste método, bastante incomum, que é o do homem que decidiu comer uma bicicleta para entrar para o “Guines Book of Records”. Para isto, ele desfez uma bicicleta em minúsculas partículas e durante cerca de três meses ingeriu-a completamente.

Também na matemática este processo é utilizado com sucesso. Uma equação bastante complexa pode ser reduzida em uma serie de pequenas equações menores e mais fáceis de resolver.

No entanto, ao invés de segmentar o problema em porções menores, é comum líderes fazerem justamente o contrário, ou seja, tentar resolver vários assuntos ao mesmo tempo. Com isto, sentem-se pressionados, ansiosos e impotentes, pois a solução de vários problemas ao mesmo tempo pode ser uma tarefa superior a sua capacidade de realização.

Nestas situações, mais do que nunca, será necessário a pessoa manter a tranqüilidade, raciocinar sobre cada problema separadamente e utilizar o método da segmentação, separando os problemas uns do outros e evitando que haja interferência entre eles.

Por isto é tão importante saber separar os problemas, não permitindo que um assunto interfira e dificulte outros aspectos de nossa vida. Quando se consegue pensar em cada problema de forma independente, tem-se uma sensação mais serena em relação a cada um, facilitando o raciocínio e a busca de soluções.

Muitas vezes nossa oração precisa ser a do salmista:Já é tempo de agires, Senhor, pois a tua lei está sendo desrespeitada”. Sl. 119.126. E outras vezes agirmos suplicando: “Ó Soberano Senhor, meu salvador poderoso, tu me proteges a cabeça no dia da batalha” Sl. 140.7.

O que se deve tomar cuidado é não fazermos aquilo que só Deus pode fazer e não deixarmos de fazer aquilo que Deus quer somente nós possamos fazer. Se errarmos vamos ficar doentes, há alguns até surtados em seus ministérios, pela soma de problemas nos confrontos diários e outros completamente alienados por não tomarem atitudes e seus ministérios não agradam a Deus.

6 – Não se cobre tanto

Eu sei que eu e você sabemos que não somos perfeitos, mas apesar disto estar bem resolvido em termos intelectuais, emocionalmente nos sentimos frustrados quando algo não dá certo, ainda que não seja por nossa culpa.

Dressa Ferreira postou em seu blog um poema que fala sobre nossos limites:

Eu não sei voar. Eu não tenho super poderes.
Eu não fico em mais de um lugar ao mesmo tempo.
Eu não uso uma capa especial. Eu não sei ajudar todos.
Nem sempre agrado a mim mesma. Não corro mais rápido que ninguém.
Não sou deus. Não tenho cabelo lindo sempre no lugar.
Não tenho medo de criptonita, e nem um mordomo chamado Alfred.
Heróis sangram, são confusos. São as visões melhoradas de nós.
Não tenho casa de gelo. Sou só mais alguém, com falhas e qualidades;
você é apenas alguém que quer seguir a estrada certa.
Portanto não cobre tanto de mim, não cobre tanto de você;
não cobre tanto dos outros.

J.C. Ismael afirma: “Aquele que não se leva a sério deve estar entre os mais sábios dos sábios, e, como tal, vive a vida com suprema dignidade. Não se levar a sério significa questionar constantemente os próprios valores, trocando-os por outros sempre que isso possa enriquecer o conhecimento, mas significa principalmente encarar a vida com humor, transmitindo-o aos que o cercam como antídoto para os inevitáveis problemas do cotidiano. As pessoas mais sábias são as que se conhecem profundamente. Quanto mais instruída é uma pessoa, menos a sério ela se leva, porque o conhecimento descoberto e adquirido torna nítidas a efemeridade de todas as coisas.” (J. C. Ismael. Sócrates e a arte de viver, p. 8).

Creio que estes dois autores estão corretíssimos no que escreveram. Se levamos tudo a ferro e fogo e a nós mesmos vamos criar tantas mágoas e culpas por onde passarmos que não conseguiremos ir adiante.

O que aconteceu no domingo aconteceu. Se você errou, agora precisa agir biblicamente. Precisa consertar o erro pedindo perdão a quem ofendeu, ou dependendo do fato, abrir caminhos para o diálogo. Você precisa entender que vai errar e muitas vezes. Você não é Deus ainda que as pessoas queiram fazer você divino.

Uma das coisas que vem a minha mente quando estou escrevendo sobre este assunto é o rei Davi quando soube da morte de seu filho, Absalão, narrado em II Sm 18.33. “Então o rei, abalado, subiu ao quarto que ficava por cima da porta e chorou. Foi subindo e clamando: Ah, meu filho Absalão! Meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera ter morrido em seu lugar! Ah, Absalão, meu filho, meu filho!" Certamente suas lágrimas foram resultado de toda uma história de falta de afeto e desafetos ente pai e filho e filho e pai. Joabe se levanta para confrontar Davi. Ele não podia ficar naquele momento do jeito que estava, havia um povo para governar. Ele precisava entender que teve sua parcela de culpa na formação da personalidade de Absalão, mas Absalão também fez suas escolhas e por elas morreu.

Às vezes penso que queremos nos culpar de tudo o que aconteceu nos domingos ruins da nossa igreja e vida. As coisas não são bem assim. Temos que entender que somos humanos e na humanidade nossa de cada dia somos frágeis e limitados. Precisamos saber lidar com isso.

7 – Tenha coragem

É preciso. Quando alguém erra na igreja pode se dar ao direito de faltar por um tempo até a poeira abaixar, mas o líder não. Até pode, mas não deve. Vá ao domingo que vem da mesma maneira que você sempre foi. Minha mãe sempre me disse: “Levanta a cabeça. Deus é fiel!” O levantar da cabeça não é ter uma atitude de orgulho ou arrogância, Deus não abençoa tal atitude, mas é preciso continuar e continuar sem perder a posse; sem perder a autoridade.

Uma vez ouvi o seguinte: Uma ave deve voar mesmo que o céu esteja cheio de abutres. Somos as águias de Deus e precisamos voar alto quando o nosso espaço está cheio de outras aves que se alimentam da morte.

Mas o que nos leva ter coragem mesmo quando temos vontade de não continuar? O que nos faz dar a cara a tapa? Creio que é o amor. Não há amor sem coragem e não há coragem sem amor. Por isso a coragem lança fora o medo, o domínio do medo, a presença constante do medo, porque onde está o amor, não há medo; há resistência a ele em nome do Deus que é em essência amor. Não deixe que as lutas façam você ficar arredio, afastado de pessoas, do seu ministério. Não fuja, mas tenha a coragem, o desejo forte de viver ante a disposição de parar e não continuar.

Um bom exemplo de coragem é Jó. Perdeu tudo, mas diante da vida e da morte levantou a sua voz e pode afirmar: “Eu sei que o meu Redentor vive, e que no fim se levantará sobre a terra Jo 19.25. Então vá para sua igreja, para o seu ministério, para a sua reunião crendo que o Senhor vai a sua frente. Tenha coragem para olhar nos olhos de todos, de continuar falando das coisas de Deus. Faça isso revestido pela unção do Espírito Santo. Busque autoridade e Deus há de lhe dar.

Tenha coragem para o confronto também. Entre várias possibilidades de interpretação do texto bíblico: “Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra”. Mt 5.39, gosto da possibilidade de Jesus está nos dizendo: “Se alguém machucar você, volte o seu rosto para a frente dessa mesma pessoa e lute para que com o diálogo você possa resolver a ofensa.” Para tanto precisamos de muita coragem porque o que menos queremos nesta hora é olhar para a pessoa que nos prejudicou.

Em meu primeiro ministério tinha um irmão que me causava muitos males. Certa vez, fui a casa dele para resolver um problema e ele colocou o cachorro para me receber. Como eu continuei parado me convidou para entrar e ali conversamos francamente. Ele não deixou de me causar problemas, mas fui o único pastor que saiu do ministério porque entendeu ser o tempo de Deus porque os demais saíram porque ele os colocou para fora. Me lembro ainda indo para a casa dele, cada passo uma decisão entre o medo e a coragem. Graças a Deus porque o Espírito de Deus me deu coragem e concede coragem a todos que dela precisam.

Faça o que está na Palavra de Deus. Ele há estar com você e como fruto de sua coragem sensata você e os seus serão abençoados.

8 – Busque Conselhos de gente que lhe quer muito bem

Conselho, por definição, é uma opinião ou aviso que se dá a uma pessoa quanto ao que ela deve fazer em determinada situação. Espero que isto aconteça a partir de sua própria família nuclear. Se for casado, do seu cônjuge. Agora também você pode ir a uma pessoa que esteja de fora da situação para que ela possa lhe aconselhar. Mas compartilhar crises deve se ter cuidado. Deve-se procurar por uma pessoa qualificada em três áreas: ser de completa confiança, amá-lo, ter preparo para lhe mostrar possíveis caminhos, caso contrário será um completo desastre.

Lembro-me de dois conselhos em Provérbios, importantes quanto ao fato de ouvirmos conselhos.

Ouça conselhos e aceite instruções, e acabará sendo sábio”. Pv. 19.20

Os conselhos são importantes para quem quiser fazer planos, e quem sai à guerra precisa de orientação”. Pv. 20.18

Na hora dos problemas sempre virão pessoas que muitas vezes não estão nem um pouco interessadas em você e no seu ministério. Estão interessadas nelas mesmas e no que elas podem tirar de vantagem de tal situação, infelizmente isto é verdade!

Então você precisa se voltar para as pessoas que estão do seu lado. Os fiéis. Aqueles que já comeram com você sacos de sal. Foram aprovados no teste de fidelidade. Esse movimento santo deve levar você a ouvir o que deus está falando através dos lábios desses.

Deus quer usar pessoas para nos aconselhar. “Isso tudo vem da parte do Senhor dos Exércitos, maravilhoso em conselhos e magnífico em sabedoria”. Is. 28.29.

Durante todos os anos de meu ministério pastoral, tenho recebido muitos conselhos. Minha esposa é uma grande conselheira colocada por Deus em minha vida – graças ao Pai por ela existir e por ser sábia em muitas coisas, porque não quebro a cara muitas vezes porque a ouço. Mas também tenho tido muitos bons servos de Deus, alguns já estão na glória como, por exemplo, meu sogro e meu tio, professores e bons amigos.

Em Prov. 15.22 lemos: “Os planos fracassam por falta de conselho, mas são bem-sucedidos quando há muitos conselheiros.”

Então não seja orgulhoso. Você não precisa caminhar sozinho. Deus tem colocado, é só olhar para as pessoas no seu caminho de Emaús que representam o próprio Cristo, por nos darem nas horas difíceis pães e peixes – alimento que nos fortalece e nos traz ânimo para continuar a caminhada.

9 – Deixe Deus falar com você e fale com Ele –

É preciso conversar com Deus, ter intimidade com ele e perceber sua direção para as nossas vidas. Nem sempre é fácil até mesmo para alguém que tem comunhão com Ele. Há situações que nos sentimos desprovidos de força para se quer levantar. A alma está aflita. O clamor do salmista é o nosso: “Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim?” Sal. 42.5.

Mas apesar disso, temos que colocar o nosso foco em Deus. Ele é a nossa esperança. Ele tem interesse em falar conosco e quer nos consolar. O consolo de Deus é um milagre em nossas vidas.

Certa ocasião tive uma afronta tão grande de uma pessoa que fui parar no hospital. Fiquei tão atordoado que queria deixar tudo, mas passado alguns dias fui sendo consolado pelo Espírito Santo e aos poucos ele foi construindo em mim novamente amor em meu coração e desejo de voltar a realizar o ministério para ,ao qual fui designado.

Quantas vezes tenho clamado em minhas devocionais matutinas por socorro e ele vem me socorrer. O salmo 136.23 a 25 nos fala sobre isso: “Àquele que se lembrou de nós quando fomos humilhados O seu amor dura para sempre! E nos livrou dos nossos adversários; O seu amor dura para sempre! Àquele que dá alimento a todos os seres vivos. O seu amor dura para sempre!”.

O desafio sempre será: descansar nossas almas em Deus. Sentir a brisa divina dada a Elias em nossas vidas. Deixar o anjo do Senhor a nos ministrar insistentemente a refeição e a atitude correta que anima e fortalece: “Elias olhou ao redor e ali, junto à sua cabeça, havia um pão assado sobre brasas quentes e um jarro de água. Ele comeu, bebeu e deitou-se de Novo. O anjo do Senhor voltou, tocou nele e disse: "Levante-se e coma, pois a sua viagem será muito longa. Então ele se levantou, comeu e bebeu. Fortalecido com aquela comida, viajou quarenta dias e quarenta noites, até chegar a Horebe, o monte de Deus ”. I Reis 19.6.

O salmo 119.66 diz: “Ensina-me o bom senso e o conhecimento, pois confio em teus mandamentos.” E ainda no mesmo capítulo versículo 76 a 77 lemos: “Seja o teu amor o meu consolo, conforme a tua promessa ao teu servo. Alcance-me a tua misericórdia para que eu tenha vida, porque a tua lei é o meu prazer”.

Nos domingos quando tudo dá errado vamos nos voltar para Deus e buscá-lo. Ele virá ao nosso encontro. Será, com certeza, um encontro de vitória.

10 – Isto vai continuar acontecendo –

Que péssima noticia! Mas é real. Igreja é assim. Um dia tudo vai bem e outro dia tudo vai mal.

O líder que não entende isso vai sofrer muito e ficará completamente perdido. É preciso criar uma espécie de escudo de defesa para que quando vierem as flechadas você fique protegido, se não de todas as flechas, pelo menos de algumas. Não se surpreenda com a maldade humana. Satanás está trabalhando no coração de muita gente. Elas nem sabem que estão sendo usadas por ele para nos derrotar, mas estão.

Tenho conversado com líderes que ficam completamente surpreendidos com os problemas que surgem ao longo do seu ministério. Sempre tenho dito: Um líder não pode pensar assim. É melhor pensar no pior e experimentar o melhor do que viver como se nada fosse acontecer e sentir de repente na carne a dor da luta que certamente virá como um ladrão chega em nossa casa para nos roubar.

Por isso é preciso usar as armas de Deus, as armas espirituais. “Pois, embora vivamos como homens não lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são humanas ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo. E estaremos prontos para punir todo ato de desobediência, uma vez estando completa a obediência de vocês. II Cor. 10.3-5.

Não podemos desanimar. Temos que continuar lutando. Em apocalipse, há um texto interessante: “Houve então uma guerra nos céus. Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão, e o dragão e os seus anjos revidaram. Mas estes não foram suficientemente fortes, e assim perderam o seu lugar nos céus” Ap.12.7-8. Creio que é assim que acontece conosco, vivemos uma espécie de anti visão dos acontecimentos escatológicos. Lutamos e Satanás revida, mas se continuarmos a lutar ele vai perder.

A vitória pertence sempre a Deus e a quem está com ele em suas promessas.

11- Pense e pense no que você pode mudar para que não fique tão à mercê dos domingos –

Se não podemos evitar os problemas e as lutas podemos nos preparar para elas. É preciso pensar com antecedência para que na hora “h” possamos lançar mão das estratégias de Deus para vencer.

No meu caso, por exemplo, tenho ao longo do meu ministério trabalhado com o meu temperamento. Sou sanguíneo por predominância e por isso um dos pontos negativos que tenho é falar tudo o que vem a minha mente. Outro ponto é que a impulsividade é algo grande em minha história familiar e por isso é um ponto que me prejudica muitas vezes. Mesmo com razão, já perdi muitas batalhas por causa destes dois fatores que quando se unem é um completo desastre. Enquanto não tive a consciência de que precisava melhorar meu temperamento e minhas atitudes ficava a mercê das situações, mas no momento que descobri que isto era algo ruim para minha vida comecei um processo de mudança que ainda está sendo operada pelo Espírito Santo.

O que quero dizer a você? É que você precisa começar fechar as brechas que tiram suas forças para que os domingos péssimos não acabem com você.

Preste com muita atenção!

A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver cerca de 70 anos. Porém, para chegar a essa idade, aos 40 anos, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão. Aos 40 anos, suas unhas estão compridas e flexíveis e já não conseguem mais agarrar as presas, das quais se alimenta. O bico, alongado e pontiagudo, se curva. Apontando contra o peito, estão as asas, envelhecidas e pesadas, em função da grossura das penas, e, voar, aos 40 anos, já é bem difícil! Nessa situação a águia só tem duas alternativas: deixar-se morrer... ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e lá se recolher, em um ninho que esteja próximo a um paredão. Um lugar de onde, para retornar, ela necessite dar um vôo firme e pleno. Ao encontrar esse lugar, a águia começa a bater o bico contra a parede até conseguir arrancá-lo, enfrentando, corajosamente, a dor que essa atitude acarreta. Espera nascer um novo”. Bico, com o qual irá arrancar as suas velhas unhas.Com as novas unhas ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses, "renascida", sai para o famoso vôo de renovação, para viver, então, por mais 30 anos.

Muitas vezes, em nossas vidas, temos que nos resguardar, por algum tempo, e começar um processo de renovação. Devemos nos desprender das (más) lembranças, (más) atitudes, e, outras situações que nos causam dissabores, para que continuemos a voar.Um vôo de vitória. Somente quando livres do peso do passado (pesado), poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz. Destrua, pois, o bico do ressentimento, arranque as unhas do medo, retire as penas das suas asas dos maus pensamentos e alce um lindo vôo para uma nova vida.Um vôo de vida nova e feliz.

Conheço líderes que não fazem reuniões antes e depois dos cultos dominicais para que não tenham aborrecimentos e problemas no domingo prejudicando as atividades. Outros quando estão com problemas com pessoas esperam para conversar depois que as coisas esfriam; tenho um amigo que trabalha sempre para que os liderados façam suas avaliações sobre os programas e atividades ficando como um moderador para evitar dar uma opinião que cause problemas já que ele é muito crítico vê tudo cinzento. O que eles estão fazendo é criarem barreiras de proteção e isso é muito bom.

Um líder de Deus pode ser entristecido por revezes, mas não se deixa dominar por eles. E uma das formas de se fazer isto é se preparar mudando temperamento, atitudes e posicionamentos no dia-a-dia do exercício do ministério.

12 – Veja os problemas do tamanho que realmente eles são –

Geralmente, aumentamos o problema em proporção infinitamente maior do que ele realmente é. Viajamos nas conseqüências e declaramos derrotas redobradas para as nossas vidas e ministério.

Já perdi as vezes que potencializei um problema e disse: “Agora é o fim. Acabou. O que será de mim, de minha família e ministério?” Mas não era para tanto. O problema não era tão grande a ponto de destruir tudo.

Em Pv. 24.10, lemos: “Se você vacila no dia da dificuldade, como será limitada a sua força!” Creio que uma das maneiras de não vacilarmos nos dias maus é focarmos no problema do tamanho que ele nos apresenta. Só em fazermos isso já estamos dando o start para a sua solução.

Veja o exemplo de Elias depois que ele venceu os profetas de Baal narrado em I Rs 18. Diante da ameaça de Jezabel correu para o monte Horebe, o monte de Deus, e pensamos que ele foi até lá para adorá-lo, mas não. No capítulo 19, lemos que na verdade foi se esconder em uma caverna e lá experimentou uma estrema depressão e até uma síndrome do pânico. Em nossa igreja realizamos uma campanha intitulada Uma Geração de Leões e Águias e aprendi muitas coisas a respeito destes dois animais para preparar os sermões da série. Uma das coisas que achei bastante interessante foi que a águia tem uma visão diferenciada. Ela consegue ver um rato a 2 km de distância. Sua visão possui quase uma amplitude de 360 graus e por isso pode caçar com precisão. Onde quero chegar? A águia olha o rato e ele continua sendo um rato, talvez pelo fato da águia, apesar de focar sua presa, continuar olhando o todo.

Assim, um líder deve proceder. Olhe o todo e veja que há muitos outros domingos que foram bons e que na balança fazem as coisas se equilibrarem.

Tenho um amigo que sempre fala as coisas maiores que verdadeiramente são. Outro dia me ligou dizendo que estava desanimado com os problemas e que estava pensando deixar a sua igreja. Conversando com outro amigo que o conhece muito bem, conversa vai conversa vem, perguntei sobre o ministério do meu amigo, ele me disse: “Ele faz um excelente trabalho. A igreja o ama e só cresce”. Certamente ele tem problemas, quem é líder sabe que isso acontece, mas não eram ao ponto de fazê-lo sair do ministério. Ele estava maximizando as dificuldades. Não se pode fazer isso e nem minimizá-lo. É preciso pedir a ajuda do Espírito Santo para nos dar exatamente a proporção certa das lutas e conflitos.

13 – Não estrague tudo o que você conquistou até o domingo anterior –

Na hora da decepção é fácil jogar tudo para o ar. Já vi isso na vida de muitas pessoas e sinceramente muitas vezes se não fosse a completa misericórdia de Deus teria também feito. É preciso maturidade. Aqui tocamos numa questão realmente séria. Para não estragar tudo o que levamos anos para realizar precisamos ter uma maturidade que não nos deixe sem controle na hora da crise.

Buscando um exemplo bíblico para que você entenda perfeitamente o que desejo dizer vejamos o exemplo de Pedro. Ao longo do ministério de Jesus vemos que o mestre investiu muito no amadurecimento do seu discípulo Pedro como o fez com os outros. Quando Pedro o nega é interessante que o chão onde pisa sucumbe com ele. Ele joga tudo para o ar e volta para a pesca, sua profissão antes de ser chamado para ser pescador de pessoas. Jesus não desiste de Pedro, porque ele leva em conta, entre outras coisas, toda a história dele com o seu discípulo, e acredita que, apesar da traição, que foi mais que um grande vacilo, ele poderia continuar, mediante a um verdadeiro arrependimento e a um salto de maturidade. Por isso, Jesus foi atrás dele, tendo que fazer tantas coisas antes de sua ascensão, e o comissionou. A história nos diz que Pedro foi bênção.

Então não desanime, continue. Se houve alguma coisa séria não volte ao seu barco de pesca, mas arrume sua vida, seu relacionamento, o problema, e vá em frente. Deus estará segurando em sua mão e você será levado para o lugar onde ele quer que você esteja. Não deixe Satanás acabar com toda a sua história. A memória vinda do passado precisa ser revelada a nós por Deus e devemos, através dela, ganharmos força para superarmos as lutas, as forças diabólicas e irmos em frente.

14 – Olhe para as coisas boas que certamente existem –

O último conselho é: veja ou aprenda a ver as coisas boas. Sou uma pessoa que tem tendência para ver tudo de ruim. Se me mostrarem um quadro todo branco com um ponto negro, vou dizer que há um ponto negro e não que há um espaço branco. Que coisa terrível?! Por isso preciso sempre de pessoas ao meu lado que me ajudem a ver que existem muitas coisas boas acontecendo.

Acho que como eu muitos, seja por educação aprendida na família, neuroses adquiridas ao longo do ministério, ou até mesmo luta espiritual, ficamos com a “certeza errada” de Elias quando afirma: “Só fiquei eu”. I Rs 9.10 Ele respondeu: "Tenho sido muito zeloso pelo Senhor, o Deus dos Exércitos. Os israelitas rejeitaram a tua aliança, quebraram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada. Sou o único que sobrou, e agora também estão procurando matar-me". Sabemos pelo relato bíblico que ele não estava só. Havia sete mil que não dobraram seus joelhos diante de Baal. I Rs 19.18 “No entanto, fiz sobrar sete mil em Israel, todos aqueles cujos joelhos não se inclinaram diante de Baal e todos aqueles cujas bocas não o beijaram". Sempre haverá coisas boas que Deus está fazendo em nosso meio. Nossa visão precisa ultrapassar algumas “certezas” que só nos afundam e começar um processo de desconfiança de que coisas abençoadas estão por nosso caminho.

Sei que isso não é fácil. Encontro em meu ministério, principalmente em reuniões de liderança, sempre observações negativas e, às vezes, chego em casa acabado, com vontade nunca mais voltar na igreja, mas isso precisa passar. Muitas vezes Deus traz a minha mente visões que chamo: “visões da graça Divina” e me mostra que não é tudo isso que as pessoas falaram e que elas erram em seus vereditos também e que há muitas outras coisas bonitas que tenho feito e que faz com que a igreja de Cristo seja e continue bela.

Não fique cercado apenas com pessoas que falam mal de tudo. Busque pessoas que possuem uma visão abençoadora, que na hora do seu desespero possam lhe dizer como o Senhor disse ao profeta Elias: “Não fique assim, tem muita gente que está fazendo um trabalho excelente no meu Reino e que está com você. Anda não desanime. Levante a cabeça e vamos lá!”.

Concluindo

RE-inicia, Deus estará com você! Henry Ford disse: "O fracasso é uma oportunidade para começar de novo, desta vez de forma mais inteligente." Gosto de Mateus 13.21, quando diz: “Todavia, visto que não tem raiz em si mesmo, permanece pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandona”. Não podemos agir assim. Mesmo que venhamos a sofrer abandono, vergonha e perdas significativas temos que ficar firmes. Deus está no controle, o que não entendemos muito bem e às vezes questionamos porque ele permite que tal coisa nos aconteça. Temos que ter fé e crer que ele cumprirá suas promessas em nós. Temos que reagir ao contrário da ação do rapaz (alguém) do v.21. , que na hora “h” foi covarde, se desesperou e fugiu. O rapaz mostrou como era realmente: fraco e covarde. Não podemos fugir. Temos que re-iniciar.

Vamos estar lá no próximo domingo. Ele está a nossa espera. Caminhemos.