domingo, 8 de julho de 2018

RE-Inicio


Depois das celebrações de domingo. Não qualquer domingo, ou domingo em que sentimos o céu na terra – tudo deu absolutamente certo, o povo saiu jubilante, você saiu na certeza que tudo foi bom. Mas aquele domingo que você sai do templo completamente arrasado, triste, frustrado, confuso, com a certeza de que não vale a pena fazer o que está fazendo e continuar.
O que fazer quando isto acontece? Quando os domingos se transformam em segundas, terças... num ciclo inacabável. Quando as sextas existem e a gente espera que os domingos sejam de alegria, de ressurreição e não o são?
Realmente, a resposta, com toda sinceridade, não é tão fácil se dar. Porque às vezes eu mesmo não sei qual o caminho a se tomar. Graças pela segunda-feira, que é o dia de minha folga, em que posso colocar os pingos nos is. Graças ao outro dia que, de alguma forma, Deus nos proporciona pela sua graça como um dia para refletirmos e tomarmos decisões que realmente contribuam para o seu Reino, nossas vidas e as dos nossos queridos – família e igreja.
Ao longo dos anos, algumas coisas tenho feito para re-iniciar minha trajetória que quero partilhar com você neste capítulo na esperança que depois do domingo, digamos “trágico”, você possa continuar seu ministério.
1 – Tenha absoluta certeza da soberania de Deus
Deus está no controle – graças, muitas vezes graças a ele por essa ação magnífica em nossas vidas e na vida de nossa igreja.
Os pensamentos são muitos....por que fiz isto? Por que não fiz? Eu deveria ter dito ou não dito isso...vai dar uma confusão... eu mexi onde não deveria, e agora? Estou quieto em meu lugar e os problemas aparecem de onde menos espero, estou com medo de tudo ir por água abaixo.
E esses pensamentos trazem tortura, ansiedade, medo e até pavor na vida de alguns. Em alguns casos doenças crônicas em temos emocionais, físicos e espirituais.
Nesta hora temos que trazer a mente que Deus está no controle.
O Profeta Jeremias profetizou ao seu povo o seguinte: “Como um espantalho numa plantação de pepinos, os ídolos são incapazes de falar, e têm que ser transportados porque não conseguem andar. Não tenham medo deles, pois não podem fazer nem mal nem bem. Não há absolutamente ninguém comparável a ti, ó Senhor; tu és grande, e grande é o poder do teu nome. Quem não te temerá, ó rei das nações? Esse temor te é devido. Entre todos os sábios das nações e entre todos os seus reinos não há absolutamente ninguém comparável a ti”. Jer. 10.5-10. Deus estava falando ao seu povo para que ele não tivesse medo do espantalho como os corvos tinham e se afastavam da plantação, porque o espantalho era absolutamente sem poder para controlar as emoções e as atitudes do povo. Deus é maior, é soberano. Na verdade o que Deus está dizendo é o seguinte: “Eu sou soberano. Vocês erraram, mas eu estou no controle da história, prossigam”.
Que palavra poderosa que temos que trazer a mente a todo o momento, principalmente quando as coisas parecem que não estão dando certo.
Um líder não deve encarar o domingo desastroso em sua igreja como um espantalho em sua vida. Se a plantação é sua, dada pelo Senhor da Seara, fica na bênção, tome posse, não se afaste dela. Lute contra o medo, coloque o foco de sua visão no Senhor, ele vai abençoá-lo.
Paulo teve esta experiência quando estava indo para o seu julgamento em Roma à bordo de um navio. Lembram-se do que aconteceu? Um tufão surgiu levando a embarcação à pique. É como um domingo ruim que de repente surgiu sobre a vida do apóstolo. O que ele fez? Está tudo narrado no cap. 27 e 28 de Atos. Bem, primeiramente ele teve voz profética: ele falou - v. 10; ele continuou trabalhando, v. 19,20; ele compreendeu a vontade de Deus, v. 21-26 e que o seu Deus está interessando em salvar o seu ungido, v. 27:42-43 e 28:1-6.
Agora podemos traçar um paralelo com o profeta Jonas que também teve que enfrentar um domingo pesado em sua vida. É claro que as tempestades vieram por motivos diferentes. Na vida de Paulo por provação, na vida de Jonas por desobediência. Qual foi a atitude de Jonas? Em Jonas 1 e 2 podemos perfeitamente acompanhar seus passos. Foram pisadas de medo, atitude passiva - se escondeu e dormiu. O resultado? Foi para o fundo do mar, para dentro de um grande peixe e por fim, vomitado na praia.
Sabe, tenho visto muitos líderes vomitados e quando isso acontece ainda dou graças a Deus porque se Deus fez isso é porque ainda tem um plano na vida do obreiro. O pior é quando encontro líderes que eram uma bênção em seus lugares de liderança, mas quando vieram às tempestades terríveis não confiaram na soberania de Deus e ainda hoje não confiam e por isso estão num sono profundo levando outros ao completo desespero como aconteceu com o profeta Jonas.
O cantor Fernandinho tem uma música que gosto de cantar porque fortalece o meu entendimento sobre a ação de Deus. Ela diz:
O Deus de Abraão, de Isaque e Jacó
É o mesmo hoje
O Deus de Moisés, de Josué
É o mesmo hoje
Ele levanta os mortos
Sara e cura os feridos
O Deus que desde a eternidade esta no controle
O Deus que desde a eternidade esta no controle
O meu Deus é soberano
O meu Deus é soberano
Se o meu coração parar de bater
Ele sopra em minhas narinas e me traz de volta a vida
É preciso confiar em Deus. Completamente. Integralmente. Visceralmente. É preciso trazer a memória o que está no salmos 119.41: “Que o teu amor alcance-me, Senhor, e a tua salvação, segundo a tua promessa.
2 – Tenha calma –
Não adianta se desesperar. Tenho conhecido muitos líderes que nestas horas abortam tudo porque simplesmente não deixaram a poeira abaixar. Foram rápidos nas tomadas de decisões e tomaram atitudes que na calma não tomariam. Alguns podem voltar atrás depois que se acalmaram, mas outros perderam tudo o que construíram a vida toda por não contarem até dez.
É preciso deixar o tempo e a fé em Deus agirem em parceria em nossas vidas. E isso pode acontecer através de vários meios usados por Deus.
Certa ocasião tive um momento muito difícil em minha liderança. Fiquei tão nervoso e fora de mim que saí de casa dizendo a minha esposa que iria para igreja escrever uma carta pedindo minha demissão e, realmente, fui para fazer isso. Mas ao chegar na igreja, minha esposa tinha ligado para uma pastora que faz parte da minha equipe pastoral e que estuda psicologia e disse o que eu iria fazer. Ela me procurou com muito jeito e começou a conversar comigo. E eu fui me acalmando, chorei um pouco, o que não fazia há muito tempo, e simplesmente desisti. Na verdade, hoje sei que Deus usou a vida de minha esposa, da pastora para ganhar tempo no meu emocional e eu poder me acalmar. Que besteira iria fazer. Deus pode nos acalmar, mas precisamos deixar ele fazer isso. Às vezes, ele vai usar pessoas queridas que estão ao nosso lado, outras vezes um “remedinho” virá em sua bula para nós, em outras situações nos levará a um lugar tranqüilo para refletirmos e muitas outras coisas ele pode fazer. Você pode ser como eu quanto fico nervoso e uma pessoa fala para mim: “Fique calmo”, eu falo: “Não me diga para ficar calmo, vou ficar mais nervoso ainda!” Contudo, é um bom conselho que, se aceitarmos, nos poupará muitos transtornos futuros.
Lendo Prov. 16. 32, descobri um princípio valioso que tenho procurado hoje aplicar em minha vida e que você também deve buscar aplicar: “Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade”.
O texto me ensina que apesar de toda a minha ira e nervoso posso, com a ajuda de Deus, controlar o meu espírito, não devo guerrear, pelo menos neste momento. Se temos que lutar, vamos fazê-lo com calma e prudência, com estratégia, mas nunca como loucos que sarem para a destruição porque geralmente quando isso acontece somos os primeiros a sermos destruídos.
Precisamos pedir calma ao Senhor porque ele pode nos dar está atitude. Veja o Salmo 65.7: “Tu que acalmas o bramido dos mares, o bramido de suas ondas, e o tumulto das nações”.
O nosso Pai quer acalmar o tumulto do nosso coração.
A calma sempre é boa conselheira em todos os momentos que atravessamos. Calma e tempo fazem mais que força e raiva. É simples, porque ela nos dá auto-controle necessário para calcularmos exatamente quais as ações que vamos tomar para continuarmos prosseguindo a nossa missão.
Arthur Schopenhauer, em "A Arte de Ser Feliz" diz: “Aquele que mantém a calma diante de todas as adversidades da vida mostra simplesmente ter conhecimento de quão imensos e múltiplos são os seus possíveis males, motivo pelo qual ele considera o mal presente uma parte muito pequena daquilo que lhe poderia advir: e, inversamente, quem sabe desse fato e reflete sobre ele nunca perderá a calma”.
Deus sabe o que você está sentindo. Do domingo ao outro domingo, à frustração de uma agenda exigente. Jesus entende. Quando você diz a Deus que chegou no seu limite, ele sabe o que quer dizer. Ele teve que aprender muito sobre como conquistar calma para fazer a vontade do Pai até o fim. Quando você balança a cabeça diante dos absurdos que acontecem dentro da casa de Deus, ele balança também. Quando seus planos são interrompidos por pessoas que têm outros planos, ele sente a mesma coisa. Ele esta lá e sabe como você se sente e está pronto a lhe presentear com a calma, a serenidade que traz a paz e a certeza de que tudo vai melhorar.
3 – Lembre-se de quem e o porquê você foi colocado na posição de liderança -
Uma das melhores definições de ministério foi a que recebi e....: “ministério é tudo o que você fez até o final de sua vida”.
Deus dá ministérios. É ele que nos coloca em determinada situação, local, é ele que diz os anos que você vai ficar e quando vamos recomeçar em outro local específico. Não são as pessoas. Às vezes elas acham, e nós também, que nossas vidas estão em suas mãos, mas não está. Está nas mãos do potente Deus.
Creio que por isso é tão importante termos absoluta certeza do nosso chamado porque, nestas horas, é ele que Deus usa como instrumento para continuarmos num céu sem estrelas.
Meu chamado foi algo marcante em minha história. Para fazer o que Deus queria que eu fizesse, ir para o seminário estudar, tive que vencer muitas barreiras até a ameaça de perder o emprego, pois para estudar teria que sair mais cedo do local onde trabalhava. No meu caso isso era muito sério, pois sustentava praticamente minha família e a igreja que pertencia não tinha condições financeiras para me mandar estudar no seminário teria que pagar todo o seminário. Mas fiz o que tinha que fazer. Me lembro que atrás de uma pilha de latas de tinta, em uma loja que trabalhava na época, orando e chorando, Deus me visitou naquele lugar e me disse: “Meu filho eu te Chamei e te sustentarei. Faça a minha vontade!” E foi exatamente o caminho que trilhei.
Então, quando acontecem os problemas, sou convidado pelo Espírito Santo a fazer uma visita ao passado. Não ao passado das lutas e tribulações, mas daquele momento especial, miraculoso em que Deus me deu e praticamente cravou sua promessa no meu coração. Aí eu levanto a minha cabeça e enxugo as lágrimas e saio de minha casa de cabeça erguida pronto para vencer os gigantes. Até agora tenho conseguido.
Se tenho essa graça em minha vida, você também pode ter. Depois de um domingo de pavor olhe para dentro de si, para a sua história de chamado e pince este momento, traga a sua memória e prossiga. Deus que chamou você há de sustentá-lo. Ele ainda está com você. Você ainda continua sendo o seu ungido.
Em meu celular quando ligo tem uma mensagem que faz lembrar isso e quantas vezes me salvou: “Você é Escolhido”. Sou mesmo e por isso continuo. Você é um escolhido e ninguém, nem mesmo o diabo, pode tirar essa verdade de você porque ela foi dada por um Deus que elegeu você dentro do ventre de sua mãe.
O apóstolo Paulo, diante no Rei Agripa, em Atos 26:16, afirma veementemente: “não fui desobediente à visão celestial”. Sua defesa foi baseada na convicção de que sua visão, não a humana, mas a espiritual, uma vez alcançada por Jesus Cristo, se tornou completamente comprometida com a obediência a Deus.
Creio que nós, líderes, muitas vezes não saímos do lugar, patinamos e até voltamos atrás porque paramos diante do que outros querem que vejamos e ouvimos o que muitos desejam que ouçamos. As ‘ovelhas’ urbanas querem pastorear a si mesmas e algumas a vida dos pastores. Não aceitam conselhos, querem torcer a Palavra de Deus e buscam o apoio de sua liderança para isso. Antes gritavam por socorro, hoje muitas gritam com seus líderes por não aceitarem a visão desses. As coisas estão confusas no cenário atual.
Interessante o que aconteceu com Paulo quando era Saulo. O texto, nos vers. 12 a 18, diz que outras pessoas estavam com ele quando Jesus se apresentou, mas somente ele viu. Os outros viram a luz, mas não o Senhor da luz, viram o clarão, mas não quem estava no clarão.
O líder cristão precisa ver o chamado sempre, reeditando-o de vez em quanto. Ver é uma questão também de aprendizado. Aprender a ver e ficar na visão do Senhor, eis aí o grande desafio.
Líderes do Senhor, devemos ficar nas visões celestiais que Deus nos deu para o nosso ministério e nos movermos por elas. Certamente, nossos ministérios serão abençoados e abençoadores e, no final de tudo, nossa defesa será: “Senhor, tu sabes que não fui desobediente a visão celestial”.
E as ovelhas rebeldes da casa de Deus? Bem...vamos deixar ele próprio cuidar delas. Ele é bom nisto.
4 – Amanhã será Melhor –
O passado aconteceu, não poderemos apagá-lo, mas poderemos pela fé caminharmos na certeza de que o melhor de Deus está por vir. E está mesmo?Eu creio! E você? No próximo domingo vai ser melhor.
Em Romanos 15.13: “Que o Deus da esperança os encha de toda alegria e paz, por sua confiança nele, para que vocês transbordem de esperança, pelo poder do Espírito Santo”.
“Vou desistir, vou voltar atrás, estou arrependido de ter confiado que poderia dar certo, estou perdendo tempo, vou jogar tudo para o alto". É nesse momento que a esperança tem que voltar a nossa mente com toda força: "Quero trazer à memória o que me pode dar esperança" (Lamentações 3. 22).
Gosto do texto de Hebreus, cap. 6, onde encontramos a base para a nossa esperança e para não desistirmos. Nós podemos crer que amanhã será melhor porque nossa esperança está firmada na aliança que Deus fez conosco. Abraão esperou com paciência porque ele sabia que o próprio Deus firmou a promessa e deu seu próprio nome como garantia (v. 13). Nossa esperança é firmada na aliança de Deus e ele jamais quebra uma aliança.
Além disto, nossa esperança está firmada nas possibilidades de Deus. Devemos esperar com paciência (v. 15), assim como Abraão, porque podemos olhar as situações que nos cercam não com a nossa ótica, mas com a ótica de Deus. A promessa feita a Abraão é de que ele seria abençoado e que teria grande descendência (vs. 14). Mas um dia Abraão foi chamado por Deus, Deus pediu-lhe por sacrifício seu único filho, o filho da promessa, o filho a quem muito amava (Gênesis 22.2). Abraão poderia olhar a circunstância e perder totalmente a esperança. Poderia dizer "está tudo acabado, vou desistir, não valeu a pena esperar". Deus está nos falando nesta hora que precisamos renovar nossa esperança de acordo com visão de Deus e não a nossa.
Cremos também que tudo vai mudar porque nossa esperança está firmada na promessa de Deus. Abraão depois de esperar com paciência (longanimidade), obteve a promessa (v.15).
Lembre-se: Deus é fiel e não permitirá que nenhuma de suas promessas caia por terra. Precisamos aprender a esperar com a certeza de que nossa esperança nunca morre. Hebreus 10.23: "Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel”.
- Nossa esperança não está apenas baseada nas promessas para agora, para nosso bem estar ou felicidade. Mas nossa esperança está acima de tudo baseada na promessa de um futuro certo, de uma eternidade plena, de vida eterna.
No Salmos 40.1: " Coloquei toda minha esperança no Senhor; ele se inclinou para mim e ouviu o meu grito de socorro”. Deus se inclina, nesta hora, para aqueles que depositam nele a esperança.
5 – Resolva o que dá para resolver e não resolva o que não dá para resolver
Quando comecei o ministério queria resolver tudo imediatamente e, mesmo isto sendo feito biblicamente, em alguns casos isso só me trouxe sofrimento desnecessário e desgaste. Ao longo do ministério, mais maduro, tenho buscado o discernimento do que realmente vale a pena resolver e em que ordem de resolução eu darei para cada problema porque se eu quiser resolver tudo junto, eu sucumbo. Não é fácil ter este discernimento porque, entre deixar tudo às soltas e ser uma pessoa muito rígida, é difícil estabelecer um equilíbrio.
Você pode ser até acusado de postergar uma decisão ou uma solução, mas é melhor entender seus limites e ir até onde você se sente pronto para lidar com as diversas lutas.
Uma vez no meu ministério tive um grande problema com uma líder, membro de nossa igreja. Ela se aliou a um obreiro para me tirar do ministério. Este obreiro me ligou dizendo do que tinha acontecido e aparentemente estava sendo fiel a mim. Marquei com a mulher um momento no domingo para conversarmos e, quando cheguei, olhei do meu carro para o alto, para uma rampa na entrada principal, e vi os dois cumprimentando-se com abraços. Naquele momento, o Espírito Santo me disse: não tenha essa reunião, espere porque você irá ver o quadro completo da situação em poucos dias. Apesar de meu temperamento dizer para resolver rapidamente problemas, escutei a voz de Deus. Passou alguns dias e foi descoberto algo sério na vida desta irmã levando-a ao afastamento do corpo de Cristo local e o obreiro foi dispensado pela direção da igreja. Aprendi a lição: há coisas que precisamos tomar atitudes rápidas, mas há outras que precisamos esperar Deus mostrar todo o quadro porque o que vemos é apenas a moldura e não toda a pintura.
Uma ótima maneira de resolver problemas é o que podemos chamar de segmentação. Este método se baseia na aplicação do principio de que, se segmentarmos ao máximo o processo, é fácil fazer algo. Existe um exemplo extremo deste método, bastante incomum, que é o do homem que decidiu comer uma bicicleta para entrar para o “Guines Book of Records”. Para isto, ele desfez uma bicicleta em minúsculas partículas e durante cerca de três meses ingeriu-a completamente.
Também na matemática este processo é utilizado com sucesso. Uma equação bastante complexa pode ser reduzida em uma serie de pequenas equações menores e mais fáceis de resolver.
No entanto, ao invés de segmentar o problema em porções menores, é comum líderes fazerem justamente o contrário, ou seja, tentar resolver vários assuntos ao mesmo tempo. Com isto, sentem-se pressionados, ansiosos e impotentes, pois a solução de vários problemas ao mesmo tempo pode ser uma tarefa superior a sua capacidade de realização.
Nestas situações, mais do que nunca, será necessário a pessoa manter a tranqüilidade, raciocinar sobre cada problema separadamente e utilizar o método da segmentação, separando os problemas uns do outros e evitando que haja interferência entre eles.
Por isto é tão importante saber separar os problemas, não permitindo que um assunto interfira e dificulte outros aspectos de nossa vida. Quando se consegue pensar em cada problema de forma independente, tem-se uma sensação mais serena em relação a cada um, facilitando o raciocínio e a busca de soluções.
Muitas vezes nossa oração precisa ser a do salmista: “Já é tempo de agires, Senhor, pois a tua lei está sendo desrespeitada”. Sl. 119.126. E outras vezes agirmos suplicando: “Ó Soberano Senhor, meu salvador poderoso, tu me proteges a cabeça no dia da batalha” Sl. 140.7.
O que se deve tomar cuidado é não fazermos aquilo que só Deus pode fazer e não deixarmos de fazer aquilo que Deus quer somente nós possamos fazer. Se errarmos vamos ficar doentes, há alguns até surtados em seus ministérios, pela soma de problemas nos confrontos diários e outros completamente alienados por não tomarem atitudes e seus ministérios não agradam a Deus.
6 – Não se cobre tanto
Eu sei que eu e você sabemos que não somos perfeitos, mas apesar disto estar bem resolvido em termos intelectuais, emocionalmente nos sentimos frustrados quando algo não dá certo, ainda que não seja por nossa culpa.
Dressa Ferreira postou em seu blog um poema que fala sobre nossos limites:
Eu não sei voar. Eu não tenho super poderes.
Eu não fico em mais de um lugar ao mesmo tempo.
Eu não uso uma capa especial. Eu não sei ajudar todos.
Nem sempre agrado a mim mesma. Não corro mais rápido que ninguém.
Não sou deus. Não tenho cabelo lindo sempre no lugar.
Não tenho medo de criptonita, e nem um mordomo chamado Alfred.
Heróis sangram, são confusos. São as visões melhoradas de nós.
Não tenho casa de gelo. Sou só mais alguém, com falhas e qualidades;
você é apenas alguém que quer seguir a estrada certa.
Portanto não cobre tanto de mim, não cobre tanto de você;
não cobre tanto dos outros.
J.C. Ismael afirma: “Aquele que não se leva a sério deve estar entre os mais sábios dos sábios, e, como tal, vive a vida com suprema dignidade. Não se levar a sério significa questionar constantemente os próprios valores, trocando-os por outros sempre que isso possa enriquecer o conhecimento, mas significa principalmente encarar a vida com humor, transmitindo-o aos que o cercam como antídoto para os inevitáveis problemas do cotidiano. As pessoas mais sábias são as que se conhecem profundamente. Quanto mais instruída é uma pessoa, menos a sério ela se leva, porque o conhecimento descoberto e adquirido torna nítidas a efemeridade de todas as coisas.” (J. C. Ismael. Sócrates e a arte de viver, p. 8).
Creio que estes dois autores estão corretíssimos no que escreveram. Se levamos tudo a ferro e fogo e a nós mesmos vamos criar tantas mágoas e culpas por onde passarmos que não conseguiremos ir adiante.
O que aconteceu no domingo aconteceu. Se você errou, agora precisa agir biblicamente. Precisa consertar o erro pedindo perdão a quem ofendeu, ou dependendo do fato, abrir caminhos para o diálogo. Você precisa entender que vai errar e muitas vezes. Você não é Deus ainda que as pessoas queiram fazer você divino.
Uma das coisas que vem a minha mente quando estou escrevendo sobre este assunto é o rei Davi quando soube da morte de seu filho, Absalão, narrado em II Sm 18.33. “Então o rei, abalado, subiu ao quarto que ficava por cima da porta e chorou. Foi subindo e clamando: Ah, meu filho Absalão! Meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera ter morrido em seu lugar! Ah, Absalão, meu filho, meu filho!" Certamente suas lágrimas foram resultado de toda uma história de falta de afeto e desafetos ente pai e filho e filho e pai. Joabe se levanta para confrontar Davi. Ele não podia ficar naquele momento do jeito que estava, havia um povo para governar. Ele precisava entender que teve sua parcela de culpa na formação da personalidade de Absalão, mas Absalão também fez suas escolhas e por elas morreu.
Às vezes penso que queremos nos culpar de tudo o que aconteceu nos domingos ruins da nossa igreja e vida. As coisas não são bem assim. Temos que entender que somos humanos e na humanidade nossa de cada dia somos frágeis e limitados. Precisamos saber lidar com isso.
7 – Tenha coragem
É preciso. Quando alguém erra na igreja pode se dar ao direito de faltar por um tempo até a poeira abaixar, mas o líder não. Até pode, mas não deve. Vá ao domingo que vem da mesma maneira que você sempre foi. Minha mãe sempre me disse: “Levanta a cabeça. Deus é fiel!” O levantar da cabeça não é ter uma atitude de orgulho ou arrogância, Deus não abençoa tal atitude, mas é preciso continuar e continuar sem perder a posse; sem perder a autoridade.
Uma vez ouvi o seguinte: Uma ave deve voar mesmo que o céu esteja cheio de abutres. Somos as águias de Deus e precisamos voar alto quando o nosso espaço está cheio de outras aves que se alimentam da morte.
Mas o que nos leva ter coragem mesmo quando temos vontade de não continuar? O que nos faz dar a cara a tapa? Creio que é o amor. Não há amor sem coragem e não há coragem sem amor. Por isso a coragem lança fora o medo, o domínio do medo, a presença constante do medo, porque onde está o amor, não há medo; há resistência a ele em nome do Deus que é em essência amor. Não deixe que as lutas façam você ficar arredio, afastado de pessoas, do seu ministério. Não fuja, mas tenha a coragem, o desejo forte de viver ante a disposição de parar e não continuar.
Um bom exemplo de coragem é Jó. Perdeu tudo, mas diante da vida e da morte levantou a sua voz e pode afirmar: “Eu sei que o meu Redentor vive, e que no fim se levantará sobre a terra” Jo 19.25. Então vá para sua igreja, para o seu ministério, para a sua reunião crendo que o Senhor vai a sua frente. Tenha coragem para olhar nos olhos de todos, de continuar falando das coisas de Deus. Faça isso revestido pela unção do Espírito Santo. Busque autoridade e Deus há de lhe dar.
Tenha coragem para o confronto também. Entre várias possibilidades de interpretação do texto bíblico: “Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra”. Mt 5.39, gosto da possibilidade de Jesus está nos dizendo: “Se alguém machucar você, volte o seu rosto para a frente dessa mesma pessoa e lute para que com o diálogo você possa resolver a ofensa.” Para tanto precisamos de muita coragem porque o que menos queremos nesta hora é olhar para a pessoa que nos prejudicou.
Em meu primeiro ministério tinha um irmão que me causava muitos males. Certa vez, fui a casa dele para resolver um problema e ele colocou o cachorro para me receber. Como eu continuei parado me convidou para entrar e ali conversamos francamente. Ele não deixou de me causar problemas, mas fui o único pastor que saiu do ministério porque entendeu ser o tempo de Deus porque os demais saíram porque ele os colocou para fora. Me lembro ainda indo para a casa dele, cada passo uma decisão entre o medo e a coragem. Graças a Deus porque o Espírito de Deus me deu coragem e concede coragem a todos que dela precisam.
Faça o que está na Palavra de Deus. Ele há estar com você e como fruto de sua coragem sensata você e os seus serão abençoados.
8 – Busque Conselhos de gente que lhe quer muito bem
Conselho, por definição, é uma opinião ou aviso que se dá a uma pessoa quanto ao que ela deve fazer em determinada situação. Espero que isto aconteça a partir de sua própria família nuclear. Se for casado, do seu cônjuge. Agora também você pode ir a uma pessoa que esteja de fora da situação para que ela possa lhe aconselhar. Mas compartilhar crises deve se ter cuidado. Deve-se procurar por uma pessoa qualificada em três áreas: ser de completa confiança, amá-lo, ter preparo para lhe mostrar possíveis caminhos, caso contrário será um completo desastre.
Lembro-me de dois conselhos em Provérbios, importantes quanto ao fato de ouvirmos conselhos.
“Ouça conselhos e aceite instruções, e acabará sendo sábio”. Pv. 19.20
“Os conselhos são importantes para quem quiser fazer planos, e quem sai à guerra precisa de orientação”. Pv. 20.18
Na hora dos problemas sempre virão pessoas que muitas vezes não estão nem um pouco interessadas em você e no seu ministério. Estão interessadas nelas mesmas e no que elas podem tirar de vantagem de tal situação, infelizmente isto é verdade!
Então você precisa se voltar para as pessoas que estão do seu lado. Os fiéis. Aqueles que já comeram com você sacos de sal. Foram aprovados no teste de fidelidade. Esse movimento santo deve levar você a ouvir o que deus está falando através dos lábios desses.
Deus quer usar pessoas para nos aconselhar. “Isso tudo vem da parte do Senhor dos Exércitos, maravilhoso em conselhos e magnífico em sabedoria”. Is. 28.29.
Durante todos os anos de meu ministério pastoral, tenho recebido muitos conselhos. Minha esposa é uma grande conselheira colocada por Deus em minha vida – graças ao Pai por ela existir e por ser sábia em muitas coisas, porque não quebro a cara muitas vezes porque a ouço. Mas também tenho tido muitos bons servos de Deus, alguns já estão na glória como, por exemplo, meu sogro e meu tio, professores e bons amigos.
Em Prov. 15.22 lemos: “Os planos fracassam por falta de conselho, mas são bem-sucedidos quando há muitos conselheiros.”
Então não seja orgulhoso. Você não precisa caminhar sozinho. Deus tem colocado, é só olhar para as pessoas no seu caminho de Emaús que representam o próprio Cristo, por nos darem nas horas difíceis pães e peixes – alimento que nos fortalece e nos traz ânimo para continuar a caminhada.
9 – Deixe Deus falar com você e fale com Ele –
É preciso conversar com Deus, ter intimidade com ele e perceber sua direção para as nossas vidas. Nem sempre é fácil até mesmo para alguém que tem comunhão com Ele. Há situações que nos sentimos desprovidos de força para se quer levantar. A alma está aflita. O clamor do salmista é o nosso: “Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim?” Sal. 42.5.
Mas apesar disso, temos que colocar o nosso foco em Deus. Ele é a nossa esperança. Ele tem interesse em falar conosco e quer nos consolar. O consolo de Deus é um milagre em nossas vidas.
Certa ocasião tive uma afronta tão grande de uma pessoa que fui parar no hospital. Fiquei tão atordoado que queria deixar tudo, mas passado alguns dias fui sendo consolado pelo Espírito Santo e aos poucos ele foi construindo em mim novamente amor em meu coração e desejo de voltar a realizar o ministério para ,ao qual fui designado.
Quantas vezes tenho clamado em minhas devocionais matutinas por socorro e ele vem me socorrer. O salmo 136.23 a 25 nos fala sobre isso: “Àquele que se lembrou de nós quando fomos humilhados O seu amor dura para sempre! E nos livrou dos nossos adversários; O seu amor dura para sempre! Àquele que dá alimento a todos os seres vivos. O seu amor dura para sempre!”.
O desafio sempre será: descansar nossas almas em Deus. Sentir a brisa divina dada a Elias em nossas vidas. Deixar o anjo do Senhor a nos ministrar insistentemente a refeição e a atitude correta que anima e fortalece: “Elias olhou ao redor e ali, junto à sua cabeça, havia um pão assado sobre brasas quentes e um jarro de água. Ele comeu, bebeu e deitou-se de Novo. O anjo do Senhor voltou, tocou nele e disse: "Levante-se e coma, pois a sua viagem será muito longa. Então ele se levantou, comeu e bebeu. Fortalecido com aquela comida, viajou quarenta dias e quarenta noites, até chegar a Horebe, o monte de Deus ”. I Reis 19.6.
O salmo 119.66 diz: “Ensina-me o bom senso e o conhecimento, pois confio em teus mandamentos.” E ainda no mesmo capítulo versículo 76 a 77 lemos: “Seja o teu amor o meu consolo, conforme a tua promessa ao teu servo. Alcance-me a tua misericórdia para que eu tenha vida, porque a tua lei é o meu prazer”.
Nos domingos quando tudo dá errado vamos nos voltar para Deus e buscá-lo. Ele virá ao nosso encontro. Será, com certeza, um encontro de vitória.
10 – Isto vai continuar acontecendo –
Que péssima noticia! Mas é real. Igreja é assim. Um dia tudo vai bem e outro dia tudo vai mal.
O líder que não entende isso vai sofrer muito e ficará completamente perdido. É preciso criar uma espécie de escudo de defesa para que quando vierem as flechadas você fique protegido, se não de todas as flechas, pelo menos de algumas. Não se surpreenda com a maldade humana. Satanás está trabalhando no coração de muita gente. Elas nem sabem que estão sendo usadas por ele para nos derrotar, mas estão.
Tenho conversado com líderes que ficam completamente surpreendidos com os problemas que surgem ao longo do seu ministério. Sempre tenho dito: Um líder não pode pensar assim. É melhor pensar no pior e experimentar o melhor do que viver como se nada fosse acontecer e sentir de repente na carne a dor da luta que certamente virá como um ladrão chega em nossa casa para nos roubar.
Por isso é preciso usar as armas de Deus, as armas espirituais. “Pois, embora vivamos como homens não lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são humanas ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo. E estaremos prontos para punir todo ato de desobediência, uma vez estando completa a obediência de vocês”. II Cor. 10.3-5.
Não podemos desanimar. Temos que continuar lutando. Em apocalipse, há um texto interessante: “Houve então uma guerra nos céus. Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão, e o dragão e os seus anjos revidaram. Mas estes não foram suficientemente fortes, e assim perderam o seu lugar nos céus” Ap.12.7-8. Creio que é assim que acontece conosco, vivemos uma espécie de anti visão dos acontecimentos escatológicos. Lutamos e Satanás revida, mas se continuarmos a lutar ele vai perder.
A vitória pertence sempre a Deus e a quem está com ele em suas promessas.
11- Pense e pense no que você pode mudar para que não fique tão à mercê dos domingos –
Se não podemos evitar os problemas e as lutas podemos nos preparar para elas. É preciso pensar com antecedência para que na hora “h” possamos lançar mão das estratégias de Deus para vencer.
No meu caso, por exemplo, tenho ao longo do meu ministério trabalhado com o meu temperamento. Sou sanguíneo por predominância e por isso um dos pontos negativos que tenho é falar tudo o que vem a minha mente. Outro ponto é que a impulsividade é algo grande em minha história familiar e por isso é um ponto que me prejudica muitas vezes. Mesmo com razão, já perdi muitas batalhas por causa destes dois fatores que quando se unem é um completo desastre. Enquanto não tive a consciência de que precisava melhorar meu temperamento e minhas atitudes ficava a mercê das situações, mas no momento que descobri que isto era algo ruim para minha vida comecei um processo de mudança que ainda está sendo operada pelo Espírito Santo.
O que quero dizer a você? É que você precisa começar fechar as brechas que tiram suas forças para que os domingos péssimos não acabem com você.
Preste com muita atenção!
A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver cerca de 70 anos. Porém, para chegar a essa idade, aos 40 anos, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão. Aos 40 anos, suas unhas estão compridas e flexíveis e já não conseguem mais agarrar as presas, das quais se alimenta. O bico, alongado e pontiagudo, se curva. Apontando contra o peito, estão as asas, envelhecidas e pesadas, em função da grossura das penas, e, voar, aos 40 anos, já é bem difícil! Nessa situação a águia só tem duas alternativas: deixar-se morrer... ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e lá se recolher, em um ninho que esteja próximo a um paredão. Um lugar de onde, para retornar, ela necessite dar um vôo firme e pleno. Ao encontrar esse lugar, a águia começa a bater o bico contra a parede até conseguir arrancá-lo, enfrentando, corajosamente, a dor que essa atitude acarreta. Espera nascer um novo”. Bico, com o qual irá arrancar as suas velhas unhas.Com as novas unhas ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses, "renascida", sai para o famoso vôo de renovação, para viver, então, por mais 30 anos.
Muitas vezes, em nossas vidas, temos que nos resguardar, por algum tempo, e começar um processo de renovação. Devemos nos desprender das (más) lembranças, (más) atitudes, e, outras situações que nos causam dissabores, para que continuemos a voar.Um vôo de vitória. Somente quando livres do peso do passado (pesado), poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz. Destrua, pois, o bico do ressentimento, arranque as unhas do medo, retire as penas das suas asas dos maus pensamentos e alce um lindo vôo para uma nova vida.Um vôo de vida nova e feliz.
Conheço líderes que não fazem reuniões antes e depois dos cultos dominicais para que não tenham aborrecimentos e problemas no domingo prejudicando as atividades. Outros quando estão com problemas com pessoas esperam para conversar depois que as coisas esfriam; tenho um amigo que trabalha sempre para que os liderados façam suas avaliações sobre os programas e atividades ficando como um moderador para evitar dar uma opinião que cause problemas já que ele é muito crítico vê tudo cinzento. O que eles estão fazendo é criarem barreiras de proteção e isso é muito bom.
Um líder de Deus pode ser entristecido por revezes, mas não se deixa dominar por eles. E uma das formas de se fazer isto é se preparar mudando temperamento, atitudes e posicionamentos no dia-a-dia do exercício do ministério.
12 – Veja os problemas do tamanho que realmente eles são –
Geralmente, aumentamos o problema em proporção infinitamente maior do que ele realmente é. Viajamos nas conseqüências e declaramos derrotas redobradas para as nossas vidas e ministério.
Já perdi as vezes que potencializei um problema e disse: “Agora é o fim. Acabou. O que será de mim, de minha família e ministério?” Mas não era para tanto. O problema não era tão grande a ponto de destruir tudo.
Em Pv. 24.10, lemos: “Se você vacila no dia da dificuldade, como será limitada a sua força!” Creio que uma das maneiras de não vacilarmos nos dias maus é focarmos no problema do tamanho que ele nos apresenta. Só em fazermos isso já estamos dando o start para a sua solução.
Veja o exemplo de Elias depois que ele venceu os profetas de Baal narrado em I Rs 18. Diante da ameaça de Jezabel correu para o monte Horebe, o monte de Deus, e pensamos que ele foi até lá para adorá-lo, mas não. No capítulo 19, lemos que na verdade foi se esconder em uma caverna e lá experimentou uma estrema depressão e até uma síndrome do pânico. Em nossa igreja realizamos uma campanha intitulada Uma Geração de Leões e Águias e aprendi muitas coisas a respeito destes dois animais para preparar os sermões da série. Uma das coisas que achei bastante interessante foi que a águia tem uma visão diferenciada. Ela consegue ver um rato a 2 km de distância. Sua visão possui quase uma amplitude de 360 graus e por isso pode caçar com precisão. Onde quero chegar? A águia olha o rato e ele continua sendo um rato, talvez pelo fato da águia, apesar de focar sua presa, continuar olhando o todo.
Assim, um líder deve proceder. Olhe o todo e veja que há muitos outros domingos que foram bons e que na balança fazem as coisas se equilibrarem.
Tenho um amigo que sempre fala as coisas maiores que verdadeiramente são. Outro dia me ligou dizendo que estava desanimado com os problemas e que estava pensando deixar a sua igreja. Conversando com outro amigo que o conhece muito bem, conversa vai conversa vem, perguntei sobre o ministério do meu amigo, ele me disse: “Ele faz um excelente trabalho. A igreja o ama e só cresce”. Certamente ele tem problemas, quem é líder sabe que isso acontece, mas não eram ao ponto de fazê-lo sair do ministério. Ele estava maximizando as dificuldades. Não se pode fazer isso e nem minimizá-lo. É preciso pedir a ajuda do Espírito Santo para nos dar exatamente a proporção certa das lutas e conflitos.
13 – Não estrague tudo o que você conquistou até o domingo anterior –
Na hora da decepção é fácil jogar tudo para o ar. Já vi isso na vida de muitas pessoas e sinceramente muitas vezes se não fosse a completa misericórdia de Deus teria também feito. É preciso maturidade. Aqui tocamos numa questão realmente séria. Para não estragar tudo o que levamos anos para realizar precisamos ter uma maturidade que não nos deixe sem controle na hora da crise.
Buscando um exemplo bíblico para que você entenda perfeitamente o que desejo dizer vejamos o exemplo de Pedro. Ao longo do ministério de Jesus vemos que o mestre investiu muito no amadurecimento do seu discípulo Pedro como o fez com os outros. Quando Pedro o nega é interessante que o chão onde pisa sucumbe com ele. Ele joga tudo para o ar e volta para a pesca, sua profissão antes de ser chamado para ser pescador de pessoas. Jesus não desiste de Pedro, porque ele leva em conta, entre outras coisas, toda a história dele com o seu discípulo, e acredita que, apesar da traição, que foi mais que um grande vacilo, ele poderia continuar, mediante a um verdadeiro arrependimento e a um salto de maturidade. Por isso, Jesus foi atrás dele, tendo que fazer tantas coisas antes de sua ascensão, e o comissionou. A história nos diz que Pedro foi bênção.
Então não desanime, continue. Se houve alguma coisa séria não volte ao seu barco de pesca, mas arrume sua vida, seu relacionamento, o problema, e vá em frente. Deus estará segurando em sua mão e você será levado para o lugar onde ele quer que você esteja. Não deixe Satanás acabar com toda a sua história. A memória vinda do passado precisa ser revelada a nós por Deus e devemos, através dela, ganharmos força para superarmos as lutas, as forças diabólicas e irmos em frente.
14 – Olhe para as coisas boas que certamente existem –
O último conselho é: veja ou aprenda a ver as coisas boas. Sou uma pessoa que tem tendência para ver tudo de ruim. Se me mostrarem um quadro todo branco com um ponto negro, vou dizer que há um ponto negro e não que há um espaço branco. Que coisa terrível?! Por isso preciso sempre de pessoas ao meu lado que me ajudem a ver que existem muitas coisas boas acontecendo.
Acho que como eu muitos, seja por educação aprendida na família, neuroses adquiridas ao longo do ministério, ou até mesmo luta espiritual, ficamos com a “certeza errada” de Elias quando afirma: “Só fiquei eu”. I Rs 9.10 “Ele respondeu: "Tenho sido muito zeloso pelo Senhor, o Deus dos Exércitos. Os israelitas rejeitaram a tua aliança, quebraram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada. Sou o único que sobrou, e agora também estão procurando matar-me". Sabemos pelo relato bíblico que ele não estava só. Havia sete mil que não dobraram seus joelhos diante de Baal. I Rs 19.18 “No entanto, fiz sobrar sete mil em Israel, todos aqueles cujos joelhos não se inclinaram diante de Baal e todos aqueles cujas bocas não o beijaram". Sempre haverá coisas boas que Deus está fazendo em nosso meio. Nossa visão precisa ultrapassar algumas “certezas” que só nos afundam e começar um processo de desconfiança de que coisas abençoadas estão por nosso caminho.
Sei que isso não é fácil. Encontro em meu ministério, principalmente em reuniões de liderança, sempre observações negativas e, às vezes, chego em casa acabado, com vontade nunca mais voltar na igreja, mas isso precisa passar. Muitas vezes Deus traz a minha mente visões que chamo: “visões da graça Divina” e me mostra que não é tudo isso que as pessoas falaram e que elas erram em seus vereditos também e que há muitas outras coisas bonitas que tenho feito e que faz com que a igreja de Cristo seja e continue bela.
Não fique cercado apenas com pessoas que falam mal de tudo. Busque pessoas que possuem uma visão abençoadora, que na hora do seu desespero possam lhe dizer como o Senhor disse ao profeta Elias: “Não fique assim, tem muita gente que está fazendo um trabalho excelente no meu Reino e que está com você. Anda não desanime. Levante a cabeça e vamos lá!”.
Concluindo
RE-inicia, Deus estará com você! Henry Ford disse: "O fracasso é uma oportunidade para começar de novo, desta vez de forma mais inteligente." Gosto de Mateus 13.21, quando diz: “Todavia, visto que não tem raiz em si mesmo, permanece pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandona”. Não podemos agir assim. Mesmo que venhamos a sofrer abandono, vergonha e perdas significativas temos que ficar firmes. Deus está no controle, o que não entendemos muito bem e às vezes questionamos porque ele permite que tal coisa nos aconteça. Temos que ter fé e crer que ele cumprirá suas promessas em nós. Temos que reagir ao contrário da ação do rapaz (alguém) do v.21. , que na hora “h” foi covarde, se desesperou e fugiu. O rapaz mostrou como era realmente: fraco e covarde. Não podemos fugir. Temos que re-iniciar.
Vamos estar lá no próximo domingo. Ele está a nossa espera. Caminhemos.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

PASTORES, DIALOGEM COM AS MULHERES VOCACIONADAS AO MINISTÉRIO PASTORAL!

Uma reflexão sobre como pastores podem ser agentes de milagres na história da ordenação pastoral feminina dos batistas brasileiros.

“Ora, uma dentre as mulheres dos filhos dos profetas clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao Senhor. Agora acaba de chegar o credor para levar-me os meus dois filhos para serem escravos.
Perguntou-lhe Eliseu: Que te hei de fazer? Dize-me o que tens em casa. E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.
Disse-lhe ele: Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, não poucas.
Depois entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos; deita azeite em todas essas vasilhas, e põe à parte a que estiver cheia.
Então ela se apartou dele. Depois, fechada a porta sobre si e sobre seus filhos, estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia.
Cheias que foram as vasilhas, disse a seu filho: Chega-me ainda uma vasilha. Mas ele respondeu: Não há mais vasilha nenhuma. Então o azeite parou.
Veio ela, pois, e o fez saber ao homem de Deus. Disse-lhe ele: Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto.” (II Reis 4.1-7).

A história é simples. Dois filhos de uma viúva serão vendidos como escravos para pagar as dívidas dela. A mulher suplica que Eliseu a ajude. Ele a ouve e fala o que Deus deseja que ela faça. Ela ouve e faz o que o profeta diz. Deus a abençoa por confiar em Sua palavra e multiplica o azeite que ela tem. Ela vende o azeite, paga suas contas e seus filhos não são vendidos como escravos.

As lições são diversas.

Quero apenas refletir neste artigo a respeito do procedimento de Eliseu mediante a crise vivenciada por esta mulher e sua família, traçando uma ponte hermenêutica para a situação em que se encontram as pastoras não reconhecidas pela OPBB.

Ele começou um diálogo que geraria um milagre.

Eliseu nos mostra que diante de uma causa, de uma aflição, de uma situação limite o que se deve fazer é criar um espaço de diálogo expressado através de perguntas, no caso dele, “Que te hei de fazer?”

Tenho percebido nesta jornada da ordenação feminina batista brasileira que um grupo expressivo de pastores, alguns até bem intencionados, querem dar respostas às irmãs que desejam ser pastoras sem ouvi-las, sem conversarem, buscando elementos para subsidiarem soluções em suas causas. A própria instituição OPBB é hermeticamente fechada a qualquer tipo de diálogo. Este procedimento traz pelo menos dois grandes riscos.

O primeiro deles é os pastores acharem que possuem todas as respostas e que podem sozinhos resolver todas as questões; o segundo é as pastoras, não podendo dialogar dos pastores, caminharem sozinhas buscando outros opções que não sejam junto aos “homens de Deus”, o que seria uma perda irreparável.

Na verdade, o caminho sempre deve começar com o diálogo. Etimologicamente diálogo é a discussão ou troca de idéias, conceitos, opiniões objetivando a solução de problemas e a harmonia. Na prática, a importância do diálogo está no fato de estabelecer relacionamentos não hierárquicos, mas no mesmo nível de igualdade ainda que cada um tenha expressões singulares em suas ações ministeriais.

Elas precisam do diálogo com os pastores. Elas precisam falar não ao ar, mas com pessoas que possuem a mesma vocação, dores e alegria. Falar do que possuem, pouco ou nada, mas precisam verbalizar para que se sintam parte do processo e, ao mesmo tempo, precisam ser ouvidas pelos pastores que possuem maior experiência nos caminhos da ordenação sacerdotal, pastoral.

Voltando a história, o diálogo não foi estéril, mas gerou atitude da parte do profeta. Ele, percebendo toda a situação a partir da própria visão da mulher, vai agora apontar um caminho. Interessante que é um caminho solidário, comunitário e não de percurso solitário. Ela precisa ir a cada uma de suas vizinhas e contar com a ajuda delas.

A solução se dá novamente por diálogo, ajuda mútua e a comunidade. As vasilhas são doadas, o azeite é colocado, é vendido e o que estava em desordem entrou em ordem. O milagre aconteceu.

Quando há diálogo há a possibilidade do milagre.

Os pastores de hoje podem ser como um Eliseu nas vidas das pastoras. Pastores que acreditam na causa defendida por elas; pastores que facilitem o caminho de mulheres vocacionadas ao ministério pastoral e encaminhem a consagração delas; pastores que também contem com a ajuda de pastoras em seus ministérios; pastores que percebem filhas, parentes e mulheres vocacionadas em suas igrejas e as incentivem na formação e ministério; pastores mestres que, atuando em seminários e faculdades teológicas, detectam na vida de se suas alunas a expressão da vocação pastoral e as respeitem; pastores escritores e teólogos que exercem uma hermenêutica não fundamentalista, mas bíblica contemporânea e não tenham receio de se expor apoiando o ministério pastoral feminino; e, por que não dizer, a liderança da OPBB, já que a instituição tem pastoras em seus quadros, abrindo um caminho de diálogo com elas e não tratando-as com desprezo como tem acontecido na maioria das vezes até aqui.

Creio que se pastoras e pastores dialogarem em todos os níveis eclesiásticos novos rumos serão tomados e, com certeza, o final da história será melhor do que o início e a obra de Deus entre o seu povo será glorificada.

A PASTORAL URBANA

Tá vendo aquele edifício moço... Ajudei a levantar. Foi um tempo de aflição. Eram quatro conduções: duas prá ir, duas prá voltar. Hoje, depois dele pronto, óio pra cima e fico tonto, mas me chega um cidadão e me diz desconfiado: tu taí admirado ou tá querendo roubar... Meu domingo tá perdido. Vou pra casa entristecido, dá vontade de beber. E prá aumentar o meu tédio, eu não posso oiá pro prédio que eu ajudei a fazer. Tá vendo aquele colégio, moço... Eu trabalhei lá. Lá eu quase me arrebento, fiz massa, pois cimento, ajudei a rebocar. Minha fia inocente, vem pra mim toda contente: Pai,vou me matricular. Mas me diz um cidadão: criança de pé no chão aqui não pode estudar. Esta dor doeu mais forte, porque é que eu deixei o Norte... Eu me pus a me dizer. Lá a seca castigava, mas o pouco que eu plantava, tinha o direito de colher. Tá vendo aquela igreja moço.... Onde o pastor diz amém. Pus o sino e o badalo, enchi minha mão de calo, lá eu também trabalhei . Lá sim, valeu a pena (...) Foi lá que Cristo me disse: rapaz deixe de tolice não se deixe amedrontar. Fui eu quem criou a terra, enchi o rio, fiz a serra, não deixei nada faltar.
Ao se pensar na pastoral urbana, tem-se que pensar na salvação da cidade. A igreja atual é chamada a olhar a cidade como local da sua missão, percebê-la como casa daqueles por quem Jesus morreu para promover vida.
O texto escolhido como referencial para este reflexão foi retirado da tradição dos profetas, especificamente o primeiro Isaias, que atuou aproximadamente entre 740 e 700.
“Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de justiça; a retidão habitava nela, mas agora homicidas. A tua prata se tornou em escórias, o teu vinho se misturou com água. Os teus príncipes são rebeldes, companheiros de ladrões; cada um deles ama o suborno, e corre atrás de presentes. Não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles à causa das viúvas. Portanto diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos, o Poderoso de Israel: Ah! Livrar-me-ei dos meus inimigos. Voltarei contra ti a minha mão; purificarei inteiramente as tuas escórias, e tirarei de ti toda impureza. Restituir-te-ei os teus juízes, como eram dantes, e os teus conselheiros, como antigamente. Então te chamarão cidade de justiça, cidade fiel”. Isaías 1.21-26
À medida que se observa que a vida garantida por Deus está sendo negada ao povo, há de buscar-se diretrizes que orientem a caminhada da Igreja, rumo a construção de uma Cidade Fiel, possibilitando que a vida seja plena e isso através da encarnação do Evangelho de Cristo até que o ser humano tenha plenas condições de relacionar-se com Deus e com o próximo em amor e justiça, desfrutando de todos os benefícios que a vida na cidade pode oferecer.
Enquadrar-se como espaço onde o ser humano tenha acolhida e força motivadora para a conquista de sua cidadania e vida plena garantida por Jesus Cristo, certamente colocam-se como desafios para a pastoral. Para tais responsabilidades, a Igreja Brasileira deve assumir paradigmas que sustentem e inspirem sua atuação na cidade, colocando-se como tentativa de contribuir no processo de construção da Cidade Fiel.
O texto de Isaías deve ajudar a Igreja Brasileira a ver que sua pastoral urbana deve ser libertadora e deve, necessariamente, começar pela percepção profética da realidade de nossas cidades que compõem o Brasil. Cria espaço para formular estratégias pastorais dando não somente a critica ácida e destrutiva, mas a que traz esperança, também profética, do perdão e da renovação efetuada por Deus, em benefícios dos Seus.
A igreja necessita, em sua pastoral, chorar a inexistência de uma cidade justa. Manter-se em descontentamento com a crise instaurada em nossos dias, tornando-se cúmplice e co-responsável da lógica opressora que assola nossos dias.
A atitude profética, enquanto voz de uma classe desfavorecida, deve inspirar e fundamentar a pastoral urbana. Em nosso País, a situação atual não muito diferente.
As nossas cidades são um palco de violência, roubo e injustiça. Vive-se um sacrifício diário de milhares de pessoas pobres que, na maioria das vezes, não tem mais a estabilidade garantida pelas famílias e se vêem sozinhas no caos injustiçado pela ideologia capitalista que concentra muitos bens nas mãos de uma minoria, desprezando e oprimindo a maioria, desprezando e oprimindo a maioria.
Nessa política de roubos, violência e injustiça, a postura da igreja pastora na cidade deve ser aquela do profeta denunciar os agentes da opressão, postar-se ao lado daqueles que tem sido marginalizados na cidade, obrigados a morar em cortiços, favelas e nas ruas da cidade, roubados no direito e na justiça; deve dar-lhes sentimento de pertença, colocar-se como uma comunidade que encarna suas lutas e rompe com o egoísmo da elite.
Isaías acredita na possibilidade de restauração da cidade. Esta é uma esperança que deve alimentar a pastoral da igreja na cidade. Deve-se evitar uma abordagem negativista, que não vê possibilidade de restauração.
A certeza de Javé em nossa luta deve inspirar a igreja a formar comunidades que confrontem as forças e faça com que se rendam. O protesto é legitimo e deve ser levado a frente. Os governantes corruptos que comprometem a vida e a justiça social devem ser afastados de seus cargos. Seus substitutos devem ser pessoas que levem a sério a luta do povo, governantes que direcionem seu labor na construção da Cidade Fiel. Daí a importância da Igreja aprender a votar nas urnas escolhendo pessoas que realmente apresentem planos a população de vida digna; a importância da igreja acompanhar e cobrar as prestações de constas dos governantes para que se tenha uma avaliação correta do tipo de justiça e dignidade que esses estão plantando na terra Brasil.
A igreja deve estimular na vida de seus adeptos a procura por meios que confrontem as lideranças políticas, econômicas e sociais que pervertem o direito e excluem grande parte das pessoas, sofredoras, em busca de sobrevivência, da plenitude da vida social e do conhecimento dos direitos adquiridos.
A voz do profeta Isaias deve ecoar na voz da Igreja de hoje. Urge que se busque a construção da Cidade Fiel, lugar onde a justiça possa passar a noite; ambiente em que o direito permeie todas as relações. Esta deve ser a utopia da igreja pastora em terras urbanas, sonho que podemos sonhar com Deus, pois o seu interesse é que a vida seja abundante.
Não se pode cair num negativismo que gere estagnação, mas deve-se, enquanto igreja, participar das lutas do povo, pois são legítimas, conscientizá-lo de seus direitos, e dar-lhes a grata noticia que Deus está do lado dos que clamam por justiça.
É tempo de bradar contra os líderes que se vendem e anunciar um novo tempo em que os líderes sejam resultado da intervenção de Javé e da participação democrática e consciente.
Concluindo, a pastoral da Igreja brasileira deve tentar incansavelmente abrir caminhos que visem à construção de uma cidade e sociedade justa por vias de uma hermenêutica bíblica que leve em conta os desafios citadinos. Deve empreender o esforço de concretizar o Reino de Deus, de trazer às cidades o amor e a vida plena que Deus oferece.

terça-feira, 3 de julho de 2018

“Venha o teu Reino, até a última fronteira”

 “Venha o teu Reino, até a última fronteira”

Conceituando uma Igreja funcional como comunidade que faz diferença na terra.

Apocalípse em português evoca um sentido escatológico, de “ultimas coisas”. Em Inglês, Revelation, dá-nos a idéia de “descoberta”, “revelação”. Entretanto em grego, apokalipso, significa simplesmente “trazer à tona o que está encoberto”.

Não se trata puramente de dar conhecimento a fatos vindouros. Apocalípse na verdade fala muito mais sobre a Igreja de Cristo hoje, seu caráter, sua vida e  Missão. Gostaria assim que lêssemos Apocalípse, capítulo 3.

Apoc 3:15-17

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio, ou quente. Assim porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes estou rico e abastado e não preciso de cousa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”

As cartas de Jesus às Igrejas da Ásia possuem duas funções básicas.

A primeira é revelar os critérios pelos quais o Senhor julga a Sua Igreja. Nós a julgamos por valores externos, visíveis e contábeis: seu templo e número de membros, sua estrutura administrativa e exposição social, seus líderes e seu culto. Como canta o coral e como prega o pastor.

Os critérios de Jesus são bem mais particulares e giram em torno de valores mais eternos do que passageiros;

Charles Kerman, filósofo cristão, diz que “nada do que tocamos é eterno”. E Jesus, quando olha para as igrejas de Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia trata de valores eternos. Em nenhum momento usa como crivo de julgamento  a estrutura física e visível da igreja mas trata sim do pecado que a assedia, a fidelidade perante as provações, a pregação do evangelho no mundo e a resistência aos ataques do diabo.  Jesus prepara aqui uma Igreja para viver a eternidade.

A segunda função básica das cartas às igrejas na Ásia é justamente nortear nossa jornada hoje.

Apesar de Apocalípse ser um livro com cores escatológicas, é altamente existencial tratando do cotidiano do povo de Deus neste mundo.

O verso 15 do texto que lemos fala sobre a possibilidade de uma Igreja ser quente, fria ou morna e erroneamente tem sido visto ao longo de anos como uma simples apresentação de três diferentes níveis de espiritualidade. Se o analisarmos cuidadosamente, entretanto, veremos que o assunto tratado é a funcionalidade da Igreja, seu modus operandi, o que ela faz baseado em quem ela reconhece ser.

Esta carta começa afirmando “conheço as tuas obras” (3:15) apontando para a vida funcional, prática e efetiva da Igreja e continua dizendo:.

“Que não és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente...”

e esta é basicamente uma afirmação de desejo. O Senhor Jesus afirmando à Igreja em Laodicéia que desejava que fossem quentes ou frios. Não há indícios para crermos que fosse uma expressão de ironia mas sim um desejo sincero de vê-los tanto quentes quanto frios.
Para entendermos esta afirmação precisamos lembrar que Laodicéia, pequena cidade, localizava-se entre outras duas grandes e conhecidas cidades na região. Ao norte Hierápolis e ao sul Colossos.

Hierápolis era conhecida em toda a região por suas fontes de águas frias. Era uma espécie de Oásis no verão para onde as multidões afluíam.  Segundo Orgeon[i], à entrada da cidade havia uma inscrição com os dizeres: “Lugar de Refrigério”.

Colossos ao sul era ainda mais conhecida pelas suas fontes de águas quentes, sobre as quais dizia-se possuírem poderes medicinais e terapêuticos usadas por pessoas com problemas ósseos, reumáticos, respiratórios e tantos outros. Um lugar de cura e terapia do corpo.

Quando o Senhor afirmou à igreja: “que nem és frio nem quente” poderíamos parafrasear: Que nem possuis função de causar refrigério às vidas que os procuram como as águas frias de Hierápolis; como também perdestes a função terapêutica de alívio aos aflitos à semelhança das águas quentes de Colossos. Como sois mornos (e águas moras não possuem função) estou a ponto de vomitar-te da minha boca.

Jesus mostrava assim que em Seu Reino a Igreja deveria possuir uma função kerygmática. De levar o evangelho até a última fronteira.

Permitam-me propor-lhes alguns conceitos norteadores da caminhada desta Igreja na visão de Jesus para o Seu Reino, a partir do exemplo de Laodicéia.


1. No Reino de Deus o caráter  precede a Missão

A vinda do Reino entre todos os povos começa sempre a partir de um movimento particular antes de chegar às massas. Começa a partir de um coração que espelha o senhor Jesus.

Muitas vezes nos impressionamos com homens, ministérios e histórias que não impressionam a Deus. E isto acontece porque o critério pelo qual o Senhor Jesus julga a sua Igreja é muito mais particular do que público. Por isto sabemos biblicamente que Missões não é uma ação definida em termos de resultados mas sim de fidelidade ao Senhor. Entretanto em nossa recente história das missões no Brasil ainda cultuamos mais os resultados do que o caráter.

No verso 15 quando o Senhor Jesus, escrevendo à Igreja em Laodicéia diz, “conheço as tuas obras”, o texto utiliza a expressão “erga” (de “ergon”) para “obras”.
Poderia ter utilizado “energema” se desejasse enfatizar a vida pública, e não particular da Igreja. Ou ainda “euergeteo” se o objetivo fosse enfatizar a sua vida comunitária.
Entretanto “erga” se refere a atos puramentes pessoais, à vida particular. Não se trata de grandes realizações ou façanhas mas sim da rotina da vida diára.  Em outras palavras Ele estaria dizendo: conheço a sua vida, seus pensamentos e suas tendências. Conheço a sua rotina fora do templo. Conheço o seu caráter.

Como podemos avaliar o nosso esforço missionário ? A partir dos resultados na transmissão da Palavra  ou da fidelidade em vivê-la e transmiti-la ?

Creio que nós não fomos chamados simplesmente a converter as nações mas sim a viver a fé que pregamos. É o que mostra-nos 1 Coríntios 4:9 quando o texto afirma que os “apóstolos” (representando a Igreja que avançava) eram postos em “último lugar”, como se “condenados à morte”. E termina dizendo que “nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos quanto a homens”.

O termo para “espetáculo” neste verso é “theatron” de onde temos a palavra “teatro” em português. “Theatron” literalmente significava “estar em um palco sendo observado”. A idéia é de um grupo teatral se apresentando em um palco iluminado por tochas que eram postas ao seu redor. Cada palavra dita, gesto realizado, movimento ou intenções estavam sendo cuidadosamente observados pelo auditório.

A verdade simples e contundente que sai deste texto é que você e eu, a Igreja de Jesus Cristo, estamos sendo observados, e não apenas por homens mas também por anjos.  A ênfase desta afirmação portanto não é simplesmente kerigmática, defendendo uma Igreja que existe para apenas proclamar o evangelho de forma inteligível, mas sim martírica: uma comunidade de santos que, antes de mais nada, foi chamada para falar, viver, agir e reagir  de acordo com o caráter de Jesus.  O verso não fala a respeito de salvação mas sim de testemunho.

Tiago 4:8 também nos adverte para que não sejamos uma Igreja com “ânimo dobre” e para “dobre” usa a expressão grega “dipxoi” (di-dois; pxoi – almas) : duas almas. Fala portanto a respeito de alguém que possui um corpo mas duas almas. Uma alma quer Deus e a outra deseja o mundo. Uma grita “glória a Deus” durante o ardente momento de louvor e a outra caminha negociando a verdade e a justiça no dia a dia do seu trabalho. Uma fala de santidade, a outra de mundanismo.
Ele nos alerta assim exortando-nos a sermos um homem com apenas uma alma. Que deseja apenas a Deus, Sua verdade e justiça. A glória do Seu nome.

Missões portanto não é um empreendimento que pode ser medido pelos resultados alcançados mas deve ser definido pela fidelidade na comunicação do amor de Deus ao mundo, e portanto não é a competência mas sim a vida e caráter que definirão a obra a ser realizada.

O caráter precede a Missão. E se isto é verdade precisamos, em nossas igrejas locais e escolas se Missões fazer mais do que treinar missionários. Precisamos fazer discípulos.


2. No Reino de Deus a obediência determina o avanço

Logo após o Senhor Jesus afirmar que Laodicéia era uma Igreja disfuncional, Ele apresenta o motivo no verso 17:
“pois dizes: estou rico e abastado e não preciso de cousa alguma”.

O motivo da disfuncionalidade daquela Igreja na Ásia era o pecado, e neste caso a soberba.  O pecado possui a habilidade de nos incapacitar temporariamente, de inibir a nossa funcionalidade e de obscurer a nossa Missão.  O pecado produz uma Igreja estéril.

E perante isto percebemos que apenas a obediência ao Senhor construirá uma Igreja que irá até a última fronteira. Em toda a história da expansão da Igreja vemos que somente a obediência, e não a tecnologia ou recursos financeiros, determinou o seu avanço. Para avançar e transpor barreiras é necessário obedecer.

Vejamos quais barreiras temos perante nós ainda hoje.

Desafio Étnico.
Há no mundo atual 2227 grupos étnicos distintos sem qualquer presença missionária ou conhecimento do evangelho. Pressupondo que já entramos nas áreas mais abertas política, linguística, geográfica e culturalmente, podemos entender que estes 2.227 PNAs (Povos Não Alcançados) não são “mais” 2.000 grupos sem o evangelho mas sim justamente os mais resistentes em toda a história do Cristianismo. Portanto estamos lidando com o remanescente que apresentará maior resistência.

Desafio Linguístico.
Convivemos hoje com 6528 línguas vivas. 336 possuem a Bíblia completa, 928 o Novo Testamento completo e 918 grandes porções bíblicas, ou seja a Palavra está expressivamente presente em 2212 línguas. Deixa-nos com mais de 4.000 línguas, minoritárias e faladas por apenas 6% da população mundial, sem nada da Palavra de Deus. Entretanto tudo isto acontece em um mundo onde 1 bilhão e meio de pessoas, segundo a ONU, não sabe ler ou escrever. Não poderiam ler a Palavra mesmo se a tivessem em sua própria língua.

Desafio Missiológico.
Fomos bombadeardos positivamente desde a década de 80 por uma missiologia que priorizava alcançar os não alcançados. Neste afã começamos a concentrar-nos como Igreja e Agências Missionárias na lista dos PNAs. E hoje, desde que Ralph Winter primeiramente listou os 13.000 povos não alcançados nos anos 80, este número baixou para 2.227 e há quem pense que é ainda menor.  Entretanto, de acordo com os relatórios de crescimento da Igreja da World Mission International  podemos notar que o evangelho apenas arranhou a superfície social em pelo menos 4.000 destes povos.  Entre estes menos de 2% da população conhece a Jesus e não há registro de grandes avanços.
Corremos o risco, assim, de encerrar esta década sem nenhum povo não alcançado em nossa lista de PNAs mas com milhares de grupos onde mais de 90% da população desconhece Jesus. Esta também, ao meu ver, é uma realidade indígena brasileira. Precisamos enfatizar não apenas os PNAs em nosso país mas também os grupos onde a Igreja, presente, precisa de ajuda para fazer o evangelho chegar entre todo o seu povo.

Para ultrapassar tais barreiras é necessário obedecer. No dia 13 de agosto de 1727 houve um avivamento missionário entre um grupo de Checos refugiados na Saxônia (atual Alemanha) , chamados de Morávios. O líder daquele movimento era Nicolas Von Zinzendorf e esta pequena igreja enviou missinários para todos os continentes da terra e mudou o rumo da nossa história. Já ao fim deste movimento Zinzendorf desejou fortemente enviar um missionário para alcançar os esquimós no Ártico e decidiu desafiar o oleiro da aldeia. Um homem de meia idade, solteiro, que fazia vasos de barro para viver. Mas Zinzendorf não tinha mais dinheiro e nem uma equipe para enviar com ele como fizera no passado. Após orar ele o chamou em um fim de tarde e disse: “Creio que é vontade do Senhor que alcancemos os esquimós e quero lhe desafiar a ser este missionário. Não temos dinheiro para lhe dar portanto, se aceitar você irá como peregrino e com certeza, pela distância e dificuldade de chegar à região, não creio que jamais poderá regressar”.

Aquele oleiro pensou por um momento e disse: “Falar de Jesus ? Se você puder me dar um par de sapatos usados, amanhã cedo eu irei”. Imagino que aquele homem estivesse descalço e sua única exigência ao dar a sua vida à causa de Jesus foi um par de sapatos usados.  Hoje, mais de 50% dos esquimós são crentes no Senhor Jesus.

A obediência determina o avanço.



3. No Reino de Deus o sacrifício prepara a terra para o plantio.

O versículo 20 tem sido usado muitas vezes como ilustração evangelística:
“Eis que estou a porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo”.

Na verdade este é um convite à Igreja e não ao descrente. Um convite para a comunhão com Jesus. Entretanto comunhão com Jesus implica muitas vezes em sacrifício necessário pela simples necessidade de abstinência daquilo que não combina com o Mestre.

Para ultrapassarmos as barreiras que temos perante nós, sejam urbanas ou tribais, linguísticas ou culturais, de caráter ou de preparo, precisamos levar em consideração a possibilidade do sacrifício cristão.

Isto aconteceu em Atos no capítulo 8 quando a Igreja sofreu na primeira grande arrancada em direção à proclamação do evangelho além fronteiras.

No verso 1 Lucas diz que houve grande “perseguição” à igreja e usa para isto a palavra grega “Diogmos”, que está ligada ao sofrimento físico: causar dores, fazer sofrer. Expunha um ataque físico no qual os crentes eram açoitados e mortos.
No verso 2 ele diz que houve grande “pranto” a respeito de Estêvão e para “pranto” ele usa o termo “Kopeton” que significa literalmente “bater no peito” e indica um sofrimento Emocional. Era a Igreja angustiada e deprimida pela cruel  perseguição.
No verso 3 Lucas afirma que Saulo “assolava” a Igreja usando para isto um termo grego derivado de “Lumaino” que aponta para a destruição espiritual. É o mesmo termo usado em João 10:10 em que lemos que o diabo veio “roubar, matar e... destruir”. 

A Igreja sofria fisica, emocional e espiritualmente, mas crescia.  Com certeza ela nunca, conscientemente buscou o sacrifício, mas estava pronto para passar por ele quando o momento chegasse. Kermann afirma que “o sacrifício precede os grandes avanços” e em Atos 8, na dolorosa dispersão da Igreja, o evangelho avançou.

Os blocos de resistência que temos perante nós hoje,
a)      O Islamismo se enraizando cada vez mais sob uma cobertura política e sendo confundido com nacionalismo;
b)      O Budismo ganhando aura de religião de requinte a qual nunca recebeu tanto subsídio de marketing mundial como nos últimos 10 anos;
c)       O Animismo resistente e pronto a fomentar o sincretismo cristão onde quer que esteja;
d)      O secularismo pós-moderno varrendo a Europa e Norte da América.

O Cristianismo não ultrapassará estas barreiras sem sacrifício.

Estive recentemente visitando uma região próxima a Maraã no coração da Amazônia onde vivem os Kambeba, Kokama e Miranha. Eram tidos, até pouco tempo atrás, como grupos indígenas ainda não alcançados pelo evangelho. Tamanha foi minha surpresa ao chegar entre eles e ver ali a presença de uma forte igreja evangélica, que louva a Deus com fervor e amor. Procurando os autores daquele trabalho missionário nos apontaram alguns crentes ribeirinhos, especialmente o Sr. João, como é conhecido. Fui entrevistá-los. Pessoas simples, alguns ainda iletrados, mas com tremenda paixão pelo Senhor Jesus. Viviam em um “flutuante” formado por um cômodo apenas e, além das redes, possuiam somente uma cadeira e uma panela. Contaram-me então como, através do escambo e comércio com os indígenas, conseguiram lhes transmitir o evangelho e plantar ali uma forte igreja.
Perguntei-lhes: “Mas como vieram parar aqui, em região tão distante ?”
Responderam-me: “viemos ganhar a vida”.
“E como está a vida” – lhes perguntei.
“Vai muito bem. Já plantamos 6 igrejas”
Aqueles eram missionários sem sustento, aplausos ou reconhecimento. Eram servos de Jesus que confundiam o ganhar da vida com o ganhar de almas. Homens que passavam privações profundas para que o evangelho chegasse até ao final do rio Maraã. O sacrifício necessário rega a terra e abre as portas para o avanço.

Em 1876 Don Capricio, bispo católico romano, ministrava a palavra inicial na convenção regional hospedada em Taranto, sul da Itália, quando afirmou que ‘A Missio Dei, pela sua supremacia bíblica, dispensa a Missão da Igreja. Somos apenas contempladores das maravilhas do Deus que faz[ii]’. Apesar da ênfase deísta gostaria de, após 125 anos, contestar esta proposta eclesio-missiológica que se apoderou etogenicamente da nossa consciência cristã pós-moderna.  A Igreja não é um membro contemplativo do Reino de Deus, excluída da Missio Dei e chamada a ser exangue, alienada, sem vida e sem paixão. Ela é  parte do Projeto de Redenção escrito pelo Senhor para a salvação de todo aquele que crê. 

Don Capricio, entretanto não se distancia muito da errática tendência cristã atual que tenta incluir-se nas bênçãos do evangelho e se auto-excluir de sua prática: a antibíblica vontade de ver a terra arada sem por as mãos no arado. De pregar o evangelho sem crer na possiblidade do sacrifício.

O sacrifício prepara a terra para o plantio.

Conclusão


Em 1784, após lerem a biografia do missionário David Brainard,  o estudante Wiliam Carey foi chamado por Deus para alcançar os Indianos. Saiu da Inglaterra, na viagem de navio sua esposa engravidou e deu a luz antes de chegar à India em uma viagem que durou mais de 12 meses em alto mar. Foi um dos maiores missionários que a História registra e traduziu porções do Novo Testamento para mais de 20 línguas.

Em 1852 Deus falou ao coração de um jovem franzino e não muito saudável para se dispor ao trabalho transcultural em um país idólatra e selvagem. Vários irmãos de sua igreja tentavam dissuadí-lo dizendo: “para que ir tão longe se aqui na América do Norte há tanto o que fazer ?” Ele preferiu ouvir a Deus e foi. Seu nome é Simonton que veio ao Brasil e fundou a Igreja Presbiteriana do Brasil tendo chegado aqui no dia 12 de agosto de 1859.

Em 1945 Deus levantou uma mulher também na América. Solteira, baixinha e inexperiente ela veio ao Brasil e embrenhou-se na floresta Amazônica onde desejava evangelizar um rio, chamado Içana. Seu nome é Sofia Muller, missionária da Novas Tribos do Brasil. E Deus deu-lhe forças. Percorreu aquele rio durante décadas, alcançou a tribo Baniwa, Kuripako  e traduziu o Novo Testamento para o Kuripako. Como usava todo o seu tempo em terra para o evangelismo ela o traduziu enquanto viajava de canoa de aldeia em aldeia durante mais de duas décadas. Hoje, uma vez por ano, todas as tribos convertidas se encontram para louvar a Deus por ter levantado Sofia Muller para lhes trazer o evangelho. A Funai afirmou recentemente que este é um dos pouquíssimos lugares na Amazônia onde os indígenas não enfrentam problemas com alcoolismo, conflitos e guerras.

Há duas coisas em comum entre Carey, Simonton e Sofia Muller. Todos registraram em seus diários e biografias um desejo apaixonante de fazer diferença na terra e compartilhavam a teologia da expansão do Reino até aos confins do mundo.

Não se contentavam apenas em susbsistir neste mundo vendo a vida passar. Criam que, em Deus, é possível mudar o óbvio, tranpor o impossível e fazer diferença em vida. Criam que fomos criados para levar o nome de Jesus até a última fronteira conhecida. Gostaria que também crêssemos assim. A Deus toda glória.





[i] T. Orgeon, Natural History IX – London 1893.

[ii] Christianity and Faith. R.W. Gordon, 1995.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Nos desígnios de Deus, a igreja existe para fazer missões no mundo. Deus em si mesmo tem caráter missionário. A Trindade é bem compreendida nas suas atividades de chamar e enviar. A Igreja entende seu propósito e caráter missionário quando observa e imita o amor de Deus pelo mundo.

Gosto da frase do teólogo Karl Barth: “Devemos ser uma igreja para o beneficio do mundo”. E a maneira que encontro para definir “uma igreja para o benefício do mundo”, estaria contida na frase “Comunidades de Deus com Caráter Missionário". Isto, de uma maneira geral, é para onde devemos caminhar.

O que quero dizer aqui, é que não somos apenas um “povo”. Somos um povo para o benefício do mundo. Adoro a frase que George Hunsberger e outros que a usam, que nós somos um povo enviado. Infelizmente, nós temos a tendência, como evangélicos, de compreender que somos “salvos de” e muito menos a compreensão do que somos “salvos para”.

Logo, a igreja que quero construir levaria muito a sério “equipar os santos” para o beneficio do mundo. É preciso ser um belo exemplo do que significa ser “pedras vivas” ( I Pe 1:4-5), como Pedro chama os cristãos.

Portanto, a igreja que quero construir, teria como alvo, ser uma comunidade “enviada”, um corpo de pessoas, enviados com uma missão. E isto significa que devemos ir bem fundo no mundo. Tragicamente, tenho descoberto que alguns de nossos líderes e membros presentes nas igrejas inverteram a ordem das coisas. Eles são do mundo, mas nunca estão no mundo. Precisamos ter a certeza de que não seremos intimidados pela marginalização e nem capturados pelas distrações que o mundo oferece.

Ao invés disso, Deus tem nos chamado para ser uma demonstração – um tira-gosto – do Reino de Deus, no meio do mundo real. Isto significa que temos, não somente, uma mensagem para anunciar, mas temos que incorporar esta mensagem na nossa vida diária. Por isso, não podemos conceber a nós mesmos como sendo uma igreja “com” um programa de missões; nós temos que nos ver e entender como sendo, de fato, uma congregação missionária. Emil Brunner disse que “Missão é para igreja o que o queimar é para o fogo”.

É tempo de aprendermos a ser missionários. Missão jamais pode ser apenas o que a igreja “faz”. Missões é o que somos. A comunidade de Deus é fundamentalmente um encontro missionário com cada cidade, setor, bairro e vilarejos, neste universo. 

domingo, 1 de julho de 2018

RENOVAÇÃO QUE SE FAZ NECESSÁRIA PARA A IGREJA LOCAL DE CRISTO

Renovação é necessária para que a igreja do Senhor Jesus Cristo possa caminhar no ‘caminho de Emaús’ e recuperar a alegria e a esperança de ser igreja.

Algumas estratégias para que a renovação aconteça são absolutamente necessárias e quero apresentar algumas:
a) Sensibilidade a atuação do Espírito Santo para o discernimento do tempo de renovação para a igreja
Buscar o Espírito Santo é essencial para reconhecermos a hora em que Deus deseja a renovação da igreja e a hora em que eu, como ministro, estou preparado para conduzir o meu povo rumo à vontade do Pai.
Ao buscarmos ao Espírito Santo, temos sempre a absoluta certeza de que não é a nossa vontade e os nossos métodos, mas os de Deus. Isto será de extrema importância para a visão a ser mantida diante de opositores.
b) Avaliação da realidade em que se encontra a igreja – verificar os estágios dos membros individuais, em grupos e da igreja como um todo;
Fazer um check up da realidade em que eu estou inserido para detectar a realidade. Este pode ser através de pequenos grupos de avaliação, pesquisa, conversas informais. A grande verdade é que precisamos verificar os estágios de vida dos membros da igreja: idade, experiências com Deus, família, cultura, para depois implementarmos as estratégias que Deus tem para a igreja, não sendo empecilho nesta hora.
c) Ter a visão da parte de Deus
Não é a minha visão, mas a visão de Deus que deve imperar. Se for a minha visão tudo se acabará com muita rapidez. Mas se for a que vem do Senhor, fruto de intensa busca para entender como Ele quer agir neste momento na vida dos seus, até podemos passar por tribulação, mas no final a vitória virá.
d) Sensibilidade a atuação do Espirito Santo para delinear as etapas das visões;
Preciso estar atento para o que Ele vai falar no processo da renovação. Algumas coisas sabemos no início, outras vêm à medida em que estou dando os passos na direção da vontade de Deus. Atenção ao mover do Espírito é de suma importância para que a visão seja concretizada e não frustrada.
e) Ver como o Senhor quer agir através de minha vida , da igreja e da cidade onde a igreja está inserida;
Neste processo de renovação, preciso ter a consciência de que serei instrumento de Deus em todo o processo. Além disto preciso entender que não sou único. Preciso de ver como o Senhor deseja trabalhar agindo através da igreja e da cidade. Estes três sujeitos são movidos pelo Espírito na renovação.
f) Análise crítica à luz da Palavra de Deus que valide ou não a visão recebida;
Tudo deve ser transpassado pelo Palavra de Deus. Ela é a régua imprescindível no processo de recebimento da visão, preservação e sustentação da mesma. Se eu não for a Palavra corro o sério risco de errar e levar o meu povo a um destino contrário a vontade de Deus.
g) Identificar pessoas chaves que desejo mobilizar para serem partícipes da visão e cooperadores;
Preciso reconhecer as pessoas que são espirituais, no sentido de estarem conscientes da visão que eu recebi do Senhor, ou de pessoas que ainda que não estejam conscientes, mas que desejam uma nova visão. Devo capacitá-las com todas as minhas forças, chamando-as para junto de mim e fazendo-as discípulas da visão.
h) Buscar pessoalmente novos paradigmas para os novos tempos que virão;
Preciso também correr atrás de novas estruturas e métodos. Não que devo confiar em primeiro lugar nisto, mas preciso fazer a minha parte. Consultar a Internet, pessoas, modelos é de suma importância para conduzir a visão de forma concreta e dinâmica.
Também a visão é dinâmica e eu preciso aquecê-la continuamente.
i) Busca de um modelo próprio;
Depois disto tudo preciso sentar e pedir ao Senhor um modelo que se ajuste à minha igreja. Pode ser fruto de várias pesquisas, mas precisa ser contextualizada à realidade de minha gente.
j) Capacitação de liderança;
Preciso capacitar as pessoas para realizarem a renovação de forma que se garanta a fidelidade a mesma e a qualidade. Isto deve ser feito por um plano integrado de aperfeiçoamento de liderança. Posso fazer pessoalmente ou mandar meus líderes a lugares onde se pode aprender. O importante é a capacitação.
k) Avaliação
Todo o processo da renovação deve ser avaliado continuamente. Mas depois da renovação concluída, ou no seu todo ou em partes, preciso avaliar, criticar colocando pesos, para aperfeiçoamentos e garantia de que tudo não vai se esvair. Preciso ser muito sincero e realista, entendendo que é normal no processo sair coisas que não estavam pré-agendadas. Isto também faz parte da obra do Espírito para que eu não ache que tenho o controle absoluto da renovação.
Algumas perguntas importantes:
1. Cremos no que foi escrito neste artigo?
2. Até que ponto estamos prontos a pagar o preço da renovação de nossa igreja local?
3. O que teremos que mudar em nós mesmos antes de começarmos o processo de renovação em nossa comunidade?
Que Deus nos ilumine no caminho. Mesmo que estejamos desanimados pela realidade de nossas igrejas, possamos receber a Jesus Cristo, comermos da sua ceia, pães e peixes, e sermos agraciados pela renovação que sempre fornece vitalidade e celebração e traz a alegria da vida em sua completa plenitude.